Ciro Nogueira integrou núcleo duro de Bolsonaro, tentou ser vice de Tarcísio e buscou apoio de Lula

Por ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alvo de operação da Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos líderes do centrão em Brasília. Caracterizado pelo pragmatismo político, ele já gravitou da base de apoio de governos petistas para a Esplanada dos Ministérios de Jair Bolsonaro (PL) e tentou o apoio de Lula (PT) após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma eventual chapa presidencial.

A PF cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do congressista no âmbito de nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

A suspeita é que Ciro Nogueira tenha recebido quantias operacionalizadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco.

O senador nasceu em 1968, em Teresina, no Piauí. Formado em direito pela PUC-RJ, foi deputado federal por quatro mandatos, de 1995 a 2011. A partir de então chegou ao Senado Federal, tendo sido eleito de novo em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas.

Com histórico de figurar ao lado do poder, já apoiou e rasgou elogios a Lula (PT). Chegou a chamar o petista de o "melhor presidente da história, principalmente para o Piauí e Nordeste". Também sempre manteve diálogo com o atual ocupante do Executivo federal.

No passado, também chamou Bolsonaro de "fascista" e "preconceituoso", mas depois virou um dos seus principais defensores.

Em um dos piores momentos do governo, durante a instalação da CPI da Covid, liderou uma tropa de choque para tentar defender o governo, que havia ficado em minoria na comissão pela falta de coordenação entre Planalto e os líderes do governo.

No entanto, sempre soube escolher suas batalhas. Durante o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo, muitos notaram a sua ausência, deixando o ex-ministro ser duramente atacado pelos senadores independentes e oposicionistas, sendo apenas defendido por congressistas com menos experiência.

Mas defendeu ferrenhamente o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello.

Se elogios e defesas públicas são circunstanciais, sinais mais fortes de laços costumam ser representados quando ele presenteia um amigo com a camisa do Ríver do Piauí, time do qual é torcedor fanático e do qual já foi presidente.

Esse foi o gesto definitivo de aproximação do senador com Bolsonaro, em 2020, e também coincidiu com o embarque do centrão no governo.

Em 2021, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, um dos ministérios mais importantes da Esplanada. A pasta tem a função de organizar e coordenar as ações do governo, assim como atuar na articulação de ministérios.

Nessa condição, foi porta-voz do anúncio de que o governo Bolsonaro faria a transição de governo para o petista, no fim de 2022.

No governo Lula, foi um vocal defensor da saída do PP do governo e tentou articular uma vaga de vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Frustrada a pretensão, em 2025, o senador foi recebido pelo presidente Lula às vésperas do Natal na Granja do Torto. O pedido veio do próprio Ciro Nogueira, e encontro contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo relatos, o líder partidário procurou o petista em busca de um acordo para renovar o mandato de senador pelo Piauí. Um aliado de Ciro Nogueira afirmou que a proposta era para não atrapalharem a candidatura. Em troca, o PP se afastaria de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o que acabou por não ocorrer.