Líder do governo na Câmara defende CPI do Master após operação da PF contra Ciro Nogueira

Por ISADORA ALBERNAZ

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu nesta quinta-feira (7) a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as fraudes do Banco Master, após o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), ser alvo de operação da Polícia Federal.

Em publicação no X (ex-Twitter), o petista afirmou que a nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta manhã, mostra "a intimidade do coração" do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no qual Ciro foi chefe da Casa Civil, com o esquema das fraudes da instituição de Daniel Vorcaro.

Segundo Pimenta, o Congresso Nacional deve dar uma resposta ao caso e "não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações" do caso.

"É hora de instalar a CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] no Congresso e a CPI na Câmara. O povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos", escreveu.

O deputado assumiu o posto de líder do governo na Câmara após José Guimarães (PT-CE) ser nomeado ministro das Relações Institucionais, responsável pela articulação política do Planalto.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resistem em dar andamento aos pedidos de CPI do Master. Em fevereiro, o deputado afirmou que "nem se quissesse" abriria a comissão.

Já Alcolumbre tem ignorado os requerimentos e já indicou a aliados que não vai mexer no vespeiro em ano eleitoral. Os senadores tentaram driblar a decisão e apurar o caso em frentes alternativas, como as CPIs mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Nacional) e a do Crime Organizado, mas ambas terminaram com seus relatórios rejeitados.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo do presidente Lula (PT) vão tentar associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição deste ano, ao caso Master após a operação mirando Ciro ?próximo do clã Bolsonaro.

A expectativa de aliados de Lula é que, ao menos por enquanto, o presidente não dê declarações fortes sobre a operação espontaneamente. A tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra Ciro ficaria com ministros, congressistas e outros aliados políticos.

A avaliação, porém, é que o petista dificilmente contornará o assunto caso seja questionado em alguma entrevista.

Segundo a PF, Daniel Vorcaro pagava até R$ 500 mil mensais a Ciro Nogueira. Um dos indícios apontados contra o senador é a tentativa de aprovar, no Congresso, a ampliação da cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A alteração beneficiaria o Master.

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

Ele diz que o senador está comprometido em contribuir com a Justiça "a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos".