Bruno Dantas deve trocar TCU por iniciativa privada, e Pacheco é visto como favorito para vaga

Por ADRIANA FERNANDES E THAÍSA OLIVEIRA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Bruno Dantas deve deixar o TCU (Tribunal de Contas da União) e aceitar um cargo na iniciativa privada. Sua vaga no tribunal é uma das indicações que cabem ao Senado Federal.

O timing da saída do ministro, que já presidiu o TCU, ainda não está acertado, mas pessoas a par das conversas afirmam que a decisão deve demorar ao menos 30 dias. Ele negocia com a Avibrás, empresa de tecnologia aeroespacial que entrou em recuperação judicial em 2022.

Nos últimos dias, Dantas teve uma conversa a sós com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Aliados do senador afirmam que o ministro contou que estava amadurecendo a ideia de deixar o tribunal e que ele deveria estar preparado para uma possível indicação.

Senadores que acompanham a movimentação de Dantas dizem que não há nenhum nome capaz de enfrentar o ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Três líderes do Senado afirmam que hoje a decisão cabe mais ao senador mineiro do que aos colegas.

Alcolumbre queria que Pacheco tivesse sido escolhido por Lula (PT) para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) em vez do ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias -que acabou rejeitado, numa derrota histórica para Lula.

Plano A de Lula para o Governo de Minas Gerais, Pacheco tem repetido que seu futuro político ainda está em aberto e que até o fim deste mês pretende decidir se vai ou não ser candidato a governador.

Fabricante da área militar, a Avibrás conseguiu neste ano R$ 300 milhões de investidores brasileiros para retomar a produção de mísseis. Entre os investidores, está o empresário Joesley Batista, controlador da J&F, via Fundo Brasil Crédito.

A proposta para comandar a Avibrás é fazer um rápido proceso conhecido como "turn around", uma reformulação estratégica para salvar uma empresa em crise, reverter os prejuízos e colocá-la no caminho do crescimento -como ocorreu com a Embraer. A meta é ambiciosa: modernizar e globalizar a companhia com um grande player internacional.

Outras duas possibilidades são a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e um grupo de tecnologia do Oriente Médio.

Dantas tem 48 anos e, em tese, mais 27 anos no cargo. Foi presidente do TCU entre 2022 a 2025 e integra a corte de contas desde 2014, tendo sido indicado pelo Senado, onde trabalhou como consultor legislativo de 2003 a 2014.

Apesar do favoritismo de Pacheco, parlamentares admitem que haverá pressão para que uma mulher seja indicada para a vaga. Atualmente, os 11 ministros do TCU são homens. Apenas duas mulheres figuram entre os 103 ministros que já passaram pelo tribunal desde a sua criação, em 1893: Ana Arraes e Helvia Castello Branco.

Outros nomes citados para o lugar de Dantas são as senadoras professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Daniella Ribeiro (PP-PB), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

O último indicado para o TCU foi o então deputado federal Odair Cunha (PT-MG), em abril, na vaga destinada à Câmara --completando as 12 cadeiras da corte, entre ministros titulares e substitutos.

Já o último indicado pelo Senado foi o então senador Antonio Anastasia, em 2021. A ida de Anastasia para o TCU foi tida como uma vitória de Pacheco por abrir caminho para que o hoje ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), de quem era próximo, assumisse o mandato. Silveira era suplente de Anastasia.

Enquanto a expectativa sobre sua saída aumenta em Brasília, Dantas tem julgado casos relevantes, como o que liberou o aporte federal no túnel de Santos e as pedaladas fiscais de 2014, que podem deixar a ex-presidente Dilma Roussef (PT), a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, inabilitados para ocupar cargo público por cinco anos.

Nesta quarta-feira (13), o TCU julga a auditoria dos fundos públicos. Como mostrou a Folha de S.Paulo, a auditoria aponta o uso de 16 fundos públicos e privados pelo governo federal para execução de políticas públicas fora do Orçamento regular.