Produtora de filme sobre Bolsonaro nega ter recebido aporte de Vorcaro, apesar de Flávio confirmar pedido

Por ANA GABRIELA OLIVEIRA LIMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse" ("O Azarão", em tradução literal), sobre a história de Jair Bolsonaro (PL), negou à Folha o recebimento de repasses de verba do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o projeto.

Segundo Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da empresa, a produtora só tem investimentos estrangeiros, sem ligação com o banqueiro. A fala se dá apesar de admissão do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que pediu aportes para o filme.

Segundo Gama, a fala de Flávio pode ter sido uma tentativa pessoal de buscar recursos para o projeto do pai, mas não reflete qualquer verba ou sequer tratativa inicial com Vorcaro ou pessoas próximas ao ex-banqueiro.

"Eu já falei com a equipe dele [Flávio Bolsonaro]. Não tenho absolutamente nenhum recurso oriundo dessa pessoa ou das empresas que ele ou Fabiano Zettel faz parte", afirmou Gama à Folha.

"Ele [Flávio], como família, como pessoa interessada no projeto, porque a gente está falando da história do pai dele, é evidente que ele tenha prospectado com várias pessoas o apoio, apresentação de novos investidores, novos apoiadores. Mas não existe nenhum documento, contrato ou transferência dessa pessoa [Vorcaro] e também de empresas que ela representa."

A informação sobre os repasses foi revelada pelo site The Intercept Brasil nesta quarta-feira (13). Segundo a publicação, o ex-banqueiro do Master pagou R$ 61 milhões para financiar o filme.

A publicação também mostrou diálogos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro sobre os repasses. Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido vantagens.

"É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público", afirmou.

Também teria sido intermediário das tratativas o deputado federal Mario Frias (PL-SP), secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro. Frias não respondeu à reportagem sobre o possível financiamento do ex-banqueiro.

A Go Up Entertainment afirmou à Folha não poder revelar qual a fonte de captação de recursos para o filme. Segundo a empresa, toda verba vem de fora do país e é resguardada por um acordo de confidencialidade. "Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar."

A empresa diz ainda que, "sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a Go Up Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem 'Dark Horse', não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".

Segundo a produtora, o projeto cinematográfico foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, "por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos".

"Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos --sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário", afirma em nota.

Segundo Gama, entretanto, não houve sequer conversa ou tratativa inicial com Vorcaro ou pessoas próximas ao banqueiro. "Nos fatos que a gente tem aqui, não existe nada relacionado ao senhor Daniel Vorcaro", afirmou Gama.

A Go Up tem sede nos Estados Unidos e um endereço registrado na Receita Federal na avenida Paulista, em São Paulo.