Trabalhe para prender todos os ladrões, diz Lula a governador interino do RJ

Por JOSUÉ SEIXAS E ALEX JORGE BRAGA

RECIFE, PE E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou neste sábado (23) uma atuação do governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, contra milícias e o crime organizado no estado.

"Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalho para prender todos os ladrões que governaram esse estado e deputados que fazem parte de uma milícia organizada", disse Lula durante discurso na Fiocruz, no Rio.

A declaração ocorreu durante cerimônia de inauguração das novas instalações do CDTS (Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde).

Em meio ao discurso, Lula interrompeu a fala para chamar Couto ao palco. O governador interino assumiu o comando do estado após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo para disputar o Senado.

A atuação da gestão Couto tem mirado atos da administração Cláudio Castro (PL), que passou a reagir publicamente às informações sobre as auditorias. O ex-governador também foi alvo de operação da Polícia Federal para apurar o uso da máquina pública estadual para facilitar crimes da Refit.

Presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Couto chegou ao Palácio Guanabara por decisão judicial.

Couto está desde 24 de março no comando do Palácio Guanabara, após a renúncia de Castro. Ele se mantém no cargo por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que ainda não decidiu como será escolhido o novo governador-tampão, para concluir o mandato até o fim deste ano.

A determinação alterou a previsão da Constituição estadual, já que em 14 de abril a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como presidente do Legislativo, cargo que está à frente do presidente do Tribunal de Justiça na linha sucessória. Integrantes do PL afirmam que o cenário se assemelha a uma intervenção judicial na gestão fluminense.

Ao apresentar o governador, Lula destacou que ele não veio da política eleitoral.

"Não é possível esse Estado poderoso, pujante, ser governado por miliciano. Não é possível. O povo do Rio não merece isso", declarou.

Lula também disse que tinha receio de que a decisão do próximo governador fosse tomada pela Assembleia Legislativa.

"Quando começou esse processo, eu falei: ?Se a Assembleia indicar, vai vir o mesmo?. Se a Assembleia tivesse que indicar, ia vir um miliciano para ser", afirmou.

Durante a fala, o presidente disse esperar que Couto aproveite o período à frente do governo para "ajudar a consertar esse estado".

"Faça o que muita gente não fez em dez anos", declarou.

Lula ainda prometeu apoio do governo federal ao governador interino no combate ao crime organizado. Neste mês, o governo federal lançou o plano "Brasil Contra o Crime Organizado", pacote de ações voltado à segurança pública. Serão R$ 11 bilhões para a área, de acordo com o Ministério da Justiça.

Do total, R$ 10 bilhões são em crédito para ações no setor, e R$ 1 bilhão direto do orçamento federal, executado por meio do FNSP (Fundo Nacional de Segurança Pública).

Conforme antecipou a Folha de S.Paulo, o programa foi elaborado com quatro eixos principais: combate ao tráfico de armas, asfixia financeira das facções, qualificação das investigações para resolução de homicídios e crimes graves, além de fortalecimento do sistema prisional.

O Brasil Contra o Crime Organizado prevê a edição de um decreto e ao menos quatro portarias com detalhamento das ações. A proposta regulamenta pontos do chamado PL Antifacção, sancionado no fim de março, e articula medidas operacionais e de financiamento.

Tema caro para o presidente nas eleições deste ano, a defesa da segurança deve ser um dos principais pontos de disputa na campanha, e vem sendo intensificado em conversas e ações do presidente Lula nos últimos meses. O petista busca criar uma marca para sua gestão nesse setor.