Flávio Bolsonaro deixa hotel em Washington e diz que vai para a Casa Branca

Por ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (26) estar a caminho da Casa Branca, local de trabalho do presidente dos EUA, após aliados do pré-candidato à Presidência do PL dizerem que ele terá um encontro com Donald Trump.

O governo dos EUA ainda não confirmou oficialmente nenhum encontro de Trump com Flávio.

"Estou indo para a Casa Branca", declarou Flávio a jornalistas, enquanto deixava o hotel Willard, em Washington.

O senador estava com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo, além de equipe de segurança. Mais cedo, questionado em relação a uma eventual reunião de Flávio com Trump, Eduardo respondeu "à tarde, à tarde", sem dar detalhes.

O possível encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o pré-candidato do PL à Presidência foi anunciado na semana passada por aliados do senador, apesar de não haver confirmação oficial da Casa Branca.

Flávio chegou em Washington na segunda-feira (25) e está hospedado no hotel cuja diária custa a partir de US$ 500 (cerca de R$ 2.500).

De acordo com o empresário Paulo Figueiredo, que não está hospedado no mesmo hotel, mas passou parte da manhã no local, foi solicitado junto à embaixada do Brasil uma entrevista coletiva de imprensa por parte da equipe de Flávio para uma entrevista a jornalistas. A embaixada, porém, não teria respondido e a entrevista foi marcada para outro local.

Ele evitou confirmar a agenda com Trump, mas disse esperar que o Itamaraty atue "de forma republicana", e não "política". Apesar de não detalhar, o empresário aliado da família Bolsonaro afirma que Flávio está na cidade para uma série de reuniões e que um dos principais temas apresentados é o pedido para que o CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) sejam classificados pelos EUA como "organizações terroristas estrangeiras".

Figueiredo disse que já existe documentação entregue às autoridades americanas e afirmou que o grupo de políticos, que inclui o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, tenta "reverter" uma suposta atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tema.

Lula, que esteve nos EUA há três semanas, afirmou que a designação de facções como terroristas não esteve presente no encontro do dia 7 de maio, mas que foi apresentada uma proposta de cooperação entre os EUA e Brasil para combate ao crime organizado.

Além de Eduardo e Paulo, deputados do PL também aguardavam a agenda no lobby do hotel. O deputado estadual de Minas Gerais, Cristiano Caporezzo, afirmou também que um dos assuntos que serão tratados é o referente à segurança pública. "O governo Lula tem resistência em tomar uma postura óbvia e necessária de categorizar o crime organizado no Brasil, em especial PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas", disse.

"O que eu posso adiantar para vocês é que o próximo presidente da República, Flávio Bolsonaro, não tem essa resistência. Muito pelo contrário, a tolerância será zero contra o crime, será um combate ao estilo El Salvador de Bukele, e com certeza esse assunto será tratado na Casa Branca", afirmou Caporezzo.

Encontro em meio à crise

O possível encontro entre o senador e o governo americano acontece em meio a um momento delicado da campanha. Como revelou o site The Intercept Brasil, Flávio pediu recursos a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O empresário chegou a investir R$ 61 milhões na produção. Desde então, o senador tenta conter os danos políticos do episódio e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na primeira pesquisa Datafolha divulgada após a repercussão do caso, o presidente Lula ampliou de três para nove pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio em uma simulação de primeiro turno: 40% a 31%.

Embora incomum, esta não seria a primeira vez que Trump receberia na Casa Branca um político estrangeiro que não ocupa o cargo de chefe de Estado.

No ano passado, o republicano recebeu Karol Nawrocki, então candidato à Presidência da Polônia, antes do primeiro turno da eleição no país. Após o encontro, Nawrocki afirmou que Trump lhe disse: "Você vai ganhar". A reunião provocou críticas na Polônia e acusações de interferência americana no processo eleitoral.

Eventual encontro com Flávio seria menos de três semanas depois de Trump receber Lula na Casa Branca para uma visita de trabalho de três horas.

Segundo relatos de ambos os governos, a reunião teve saldo positivo. Foram discutidas tarifas comerciais, criada uma mesa de trabalho bilateral e apresentada, pelo Brasil, uma proposta de cooperação na área de segurança pública.

Após a última visita do presidente brasileiro à Casa Branca, Lula reiterou não acreditar em uma interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro e afirmou confiar no respeito mútuo entre os dois países nesse tema.