Flávio fala em 'guerra espiritual' na Marcha para Jesus e diz que 'mal vai ser expulso do governo'
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que "o mal vai ser expulso do governo do Brasil" e que o país vive uma "guerra espiritual".
A declaração foi feita na Marcha para Jesus, evento evangélico que acontece em São Paulo nesta quinta-feira (4) de Corpus Christi.
"Vamos orar pelo nosso Brasil, essa guerra é espiritual. Maior resposta que podemos dar ao mal que vai ser expulso do governo do Brasil esse ano", declarou.
"Não estou aqui como candidato, estou aqui como cristão", havia dito pouco antes. O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) , que participa do evento neste eleitoral 2026, não marcou presença nos anos anteriores.
Minutos antes de falar no trio, ele se esquivou de duas perguntas feitas a ele pela reportagem. A primeira: se acreditava que as tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos têm potencial para prejudicar sua candidatura. O senador se reuniu com Donald Trump dias antes do anúncio e, como vacina para essa ideia já explorada por Lula (PT), seu maior adversário, disse que pediu ao presidente americano que vete a taxação.
Flávio disse que o momento não era para falar de política.
Também não quis responder sobre a preferência de líderes evangélicos por uma chapa que unisse o governador Tarcísio de Freitas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O governador não pode mais concorrer a um cargo que não seja o que já ocupa, por restrições da legislação eleitoral, e Michelle seria uma opção de cabeça de chapa por ora descartada.
Flávio afirmou que estava ali "para orar pelo país", não para falar de política.
Embora não tenha sido o presidenciável preferido de lideranças do segmento, ele passou no teste de público: desceu para o meio da multidão e causou comoção, com muito empurra-empurra de fiéis atrás de selfies com o senador. "Deixa eu ser o neto do Bolsonaro!" e "manda um beijo pro seu pai!" foram alguns dos pedidos que recebeu depois de falar no trio.
Questionado por um repórter se havia conversado com Tarcísio, Flávio se negou a responder: "Entrevista aqui não dá".
Na última semana, o governador havia afirmado que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisava explicar muitas questões a respeito do caso Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que financiou o filme "Dark Horse".
Ele esteve no trio elétrico principal do evento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB); o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça; o advogado-geral da União, Jorge Messias; os pré-candidatos ao Senado por São Paulo, deputados André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP); e o deputado estadual Lucas Bove (PL).
"A gente não pode se conformar em seguir padrões, a gente precisa transformar nossa vida e pensamento. Quem veio aqui buscar uma graça? São Paulo é do senhor Jesus. Coisas sobrenaturais acontecerão", disse Tarcísio.
Minoria de esquerda entre as lideranças políticas no evento, Messias passou parte do evento no canto do trio, enquanto os opositores falavam.
Ao público, o apóstolo Estevam Hernandes descreveu Tarcísio e Nunes como "o governador e o prefeito da marcha". "São servos de Deus", disse ao chamá-los para uma fotografia conjunta, após breve discurso.
A Marcha chega à sua 34ª edição sob o tema "todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor". A escolha, segundo Hernandes, inspira-se no versículo em que Jesus prega: "Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura".