Flávio Bolsonaro diz que Lula parece 'chefe do PCC' em evento de SP

Por BRUNO RIBEIRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (8) que o presidente Lula (PT) parece "o chefe do PCC" diante da postura contrária à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar a facção paulista, além da fluminense Comando Vermelho, como organizações terroristas.

"[A classificação] é a maior oportunidade que nós temos de acabar com esse poder paralelo, que é o que eles são. Então não tem que ter tolerância, tem que ter unidade da nossa parte. Aí você olha para o presidente do Brasil, ele pensa o contrário. Parece que ele é o chefe do PCC. Muitas das pessoas começam a pensar isso", disse Flávio.

As declarações ocorreram durante um almoço do pré-candidato à Presidência com o Grupo Voto, organização que reúne mulheres empresárias, no hotel Palácio Tangará, na zona sul de São Paulo.

Flávio deu maior ênfase, durante o discurso, a segurança pública e economia, atribuindo a sensação de insegurança nas cidades à administração petista, e defendeu mudanças no regime de cumprimento de sentenças para manter por mais tempo presas as pessoas que cometem crimes violentos.

"Os governos do PT vieram numa linha de desencarceramento. A gente precisa de uma linha que combata a impunidade, porque foi essa a consequência dos governos do PT", disse o senador. "Todos nós [estamos] aqui sofrendo com a violência nas ruas, todo mundo anda com medo, anda preocupado. Imagina quem não tem condição de ter um carro blindado, de ter uma segurança, ou de morar num condomínio, numa casa que tenha segurança, que é a grande maioria do povo brasileiro", afirmou.

Flávio criticou o controle territorial imposto por facções criminosas no país, citando as duas organizações, mas sem fazer referência a milícias que também dominam regiões periféricas de centros urbanos, especialmente no Rio de Janeiro, estado do senador.

O governo federal discorda da classificação das duas facções como terroristas, sob o argumento de que ela abriria brechas para ações militares dos EUA que ameaçariam a soberania brasileira. Lula, ao repercutir a decisão, chamou Flávio de "sem-vergonha de trair a pátria", criticando a viagem do senador a Washington para se reunir com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, dois dias antes do anúncio da medida americana.

Diante do público de empresárias, Flávio prometeu adiar em pelo menos um ano a vigência da reforma tributária, prevista para valer em 2027, e afirmou que privatizará os Correios, entre outras promessas. Mas se esquivou de indicar cotados para assumir o Ministério da Fazenda.

O senador não atendeu à imprensa ao término do encontro nem fez referência ao caso Master. Também se recusou a comentar a decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, que, também nesta segunda, mandou tirar do ar uma pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg que apontou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador em um eventual segundo turno contra Lula.