PL deve focar fundo eleitoral em Flávio e Senado, e deputados temem falta de recursos

Por AUGUSTO TENÓRIO E CAROLINA LINHARES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A partilha do fundo eleitoral tem gerado apreensão no PL sobre o investimento em campanhas de deputados federais. A sigla terá R$ 881,6 milhões, a segunda maior fatia no ranking, mas lideranças se preocupam com a concentração dessa verba diante da prioridade das candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e também de senadores.

Caciques do PL olham com atenção para a federação União Progressista. A aliança do PP com o União Brasil concentra a maior parte do fundo eleitoral, com R$ 943,3 milhões. Diferentemente da sigla de Jair Bolsonaro, porém, esse "superpartido" do centrão vai priorizar a eleição de deputados federais e planeja gastar pelo menos R$ 400 milhões somente para aumentar sua bancada na Câmara.

União Brasil e PP hoje somam 98 deputados e, com a federação, vão funcionar como um só partido no pleito deste ano. Esse modelo de aliança facilita a eleição de deputados, pois o número de eleitos para a Câmara e Assembleias Legislativas é feito no sistema proporcional, com divisão de vagas por votos que cada legenda recebe.

O PL ocupa 97 cadeiras na Câmara e pretende eleger 115 representantes na Casa este ano. Essa vontade, porém, precisará ser conciliada inicialmente com Flávio Bolsonaro. O partido faz uma estimativa inicial de investimento na candidatura presidencial na casa dos R$ 120 milhões.

A expectativa de dirigentes partidários é que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mantenha o teto das candidaturas presidenciais próximo ao da eleição passada. A avaliação parte do entendimento de que o fundo eleitoral não sofreu alteração significativa entre 2022 e 2026, permanecendo na casa dos R$ 4,9 bilhões, então o limite de gastos também não deve ser corrigido significativamente.

Neste ano, o PL decidiu priorizar o lançamento de candidatos próprios nos estados para garantir à candidatura de Flávio o maior número de palanques pelo Brasil. O partido deve ter cerca de 15 nomes próprios a governos e até 30 ao Senado. Tal postura exigirá investimentos significativos do fundo eleitoral.

Nos bastidores da sigla, a estimativa de gasto por concorrente a senador ficará na média dos R$ 4 milhões, podendo ser maior a depender do estado. Por essa previsão, cerca de R$ 120 milhões ficarão comprometidos.

A disputa do Senado foi definida como uma prioridade do ex-presidente Bolsonaro, que pretende conquistar a maioria e o comando da Casa para aprovar pautas contrárias ao STF (Supremo Tribunal Federal) e promover o impeachment de ministros da corte. Apesar de preso, ele segue como presidente de honra do PL.

Já as campanhas para governador sofrem a maior volatilidade. A candidatura de Douglas Ruas no Rio de Janeiro, por exemplo, pode consumir até R$ 26,5 milhões do fundo eleitoral, na perspectiva do PL. O eventual lançamento de um nome próprio em Minas Gerais ficaria na mesma ordem de grandeza. Já Arthur Henrique, em Roraima, poderá gastar R$ 5,4 milhões em caso de segundo turno.

O cálculo preliminar de gastos do PL indica que o investimento em candidaturas majoritárias pode chegar aos R$ 360 milhões, caso os pré-candidatos da sigla se mantenham viáveis e competitivos. Dessa forma, sobram R$ 521 milhões para divisão entre candidatos a deputado federal e estadual.

No mês passado, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, publicou uma resolução definindo a divisão do fundo entre a direção nacional e os estados. Segundo o documento, 70% dos recursos serão entregues aos diretórios estaduais do PL, enquanto 30% ficarão a cargo da direção nacional.

Ou seja, cerca de R$ 265 milhões estarão reservados para as candidaturas que a cúpula do PL considerar prioritárias. Congressistas do partido afirmam acreditar que a campanha de Flávio vai consumir quase metade desse montante, se o limite legal ficar na casa dos R$ 130 milhões.

É também dessa reserva que devem sair investimentos para eventuais disputas de segundos turnos, ainda de acordo com integrantes do PL. Os detalhes sobre a distribuição do fundo, porém, ainda serão definidos pelo partido.

A resolução diz que os 70% destinados aos estados serão distribuídos entre as unidades da federação de forma proporcional à quantidade de deputados e senadores eleitos em 2022, além da quantidade nominal de votos para deputados federais.

Partidos do centrão enxergam uma oportunidade de obter vantagem sobre o PL. A eleição de deputados federais é considerada crucial para a sobrevivência dos partidos porque é o principal fator de cálculo para a divisão do fundo partidário e também do próximo fundo eleitoral.

Dirigentes do União Brasil-PP apostam na soma do voto proporcional, no fundo eleitoral maior, na ausência de candidatura nacional e, também, na volatilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Houve uma concentração de bolsonaristas no PL durante a janela partidária. Deputados migraram para o partido desejando uma associação mais direta à imagem de Flávio Bolsonaro, inclusive para garantir o número "22" na urna.

Tal movimento pode ter um efeito reverso, calculam lideranças do centrão. Nessa avaliação, se Flávio Bolsonaro continuar sofrendo com crises como o caso "Dark Horse", a votação de deputados federais também será abalada por se tratar de um voto ideológico.