Médicos têm bens bloqueados em investigação sobre desvio de recursos da saúde em Leopoldina e Além Paraíba
Quatro anestesistas são acusados de integrar organização criminosa que manipulava escalas médicas e realizava cirurgias irregulares em hospitais conveniados ao SUS.
Quatro médicos anestesistas são investigados por suspeita de desvio de dinheiro público da saúde, manipulação de escalas médicas e irregularidades em cirurgias realizadas pelo SUS em hospitais da Zona da Mata. Na terceira fase da Operação Onipresença, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foram cumpridos quatro mandados de bloqueio e indisponibilidade de bens em Leopoldina e Além Paraíba.
Segundo o Ministério Público, os profissionais são acusados de integrar uma organização criminosa que atuava dentro de unidades hospitalares conveniadas ao SUS, desviando recursos públicos e manipulando rotinas médicas. As irregularidades teriam ocorrido na Casa de Caridade Leopoldinense, em Leopoldina, e no Hospital São Salvador, em Além Paraíba, que atendem pacientes da rede pública.
De acordo com as investigações, o grupo também teria praticado cirurgias simultâneas ou sequenciais e realizado procedimentos eletivos durante plantões destinados ao atendimento do SUS, além de manipular escalas médicas.
Ainda conforme o Ministério Público, os envolvidos teriam combinado versões, utilizado documentos falsos e manipulado registros para encobrir irregularidades. As apurações também apontam fraudes, ocultação de possíveis erros médicos e emissão de atestados falsos para justificar ausências em plantões. Em um dos casos investigados, uma das médicas chegou a se autodenominar “rainha dos atestados”.
As investigações também apontam situações consideradas graves pelos promotores, como a exposição de imagem íntima de um paciente por um dos médicos a um colega e conversas em que um investigado teria sugerido que o filho, aparentemente estudante de medicina, treinasse procedimentos em pacientes idosos.
Segundo o Ministério Público, uma das denunciadas seria responsável por organizar e manipular escalas médicas e também teria tentado interferir na produção de provas, com atitudes consideradas intimidatórias em relação a testemunhas.
A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e determinou, além do bloqueio de bens, o afastamento dos médicos investigados de hospitais conveniados ao SUS durante o andamento das investigações. Também foi autorizado o compartilhamento das provas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina e com a Gerência Regional de Saúde.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Zona da Mata, em conjunto com a Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde e a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Leopoldina.
O Ministério Público informou que as investigações continuam e não está descartado o envolvimento de outras pessoas no esquema. Interessados ou possíveis vítimas podem solicitar acesso ao processo judicial mediante requerimento à Justiça.