Hospital de Barbacena aplica polilaminina em paciente com lesão na medula pela 1ª vez

Procedimento foi feito pelo SUS; composto ainda não é um medicamento comercializado e a aplicação só foi possível graças a um protocolo autorizado pela Anvisa

Por Vívia Lima

Procedimento com polilaminina foi feito em Barbacena pelo SUS

Um rapaz de 28 anos se tornou o primeiro paciente da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) a receber a aplicação de polilaminina, uma substância experimental que ajuda na recuperação neurológica após traumas graves na medula espinhal ou na coluna. A informação foi divulgada pelo Governo de Minas

O procedimento inédito foi realizado no Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB) em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que desenvolvem o projeto.

Geovani Campos Canton, sofreu um acidente de moto no dia 19 de junho. Ele passou por uma cirurgia na coluna e, diante da gravidade do caso, foi selecionado para receber a substância. A cirurgia aconteceu na última semana. Geovani mantém o otimismo. “Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Tenho grande expectativa”, afirma.

Sem garantia de cura

Por estar em fase de testes clínicos, o composto ainda não é um medicamento comercializado. A aplicação só foi possível porque o protocolo se enquadra no "uso compassivo", autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Essa modalidade permite o uso de terapias experimentais ainda sem registro em pacientes com doenças graves, que correm risco de morte ou de sequelas severas, e que não possuem outras alternativas de tratamento disponíveis no mercado.

Os médicos ressaltam que não há garantia de reversão da lesão. O objetivo com a aplicação é tentar garantir ganho neurológico e melhorar a qualidade de vida do paciente. Para que o tratamento tenha efeito, Geovani  vai precisar passar por sessões intensas de fisioterapia para estimular o reaprendizado das funções motoras.

O que é e como funciona a polilaminina?

A polilaminina é uma versão modificada em laboratório da laminina, uma proteína que o próprio corpo humano produz e que é considerada essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso.

A substância funciona como uma espécie de "andaime molecular". Ela é aplicada no local do trauma para reduzir a inflamação e guiar o crescimento dos filamentos dos neurônios responsáveis por transmitir os impulsos nervosos.

O objetivo é estimular a regeneração das células nervosas e tentar restabelecer a conexão na medula, buscando uma recuperação funcional maior do que a que ocorreria naturalmente.