Janeiro Branco destaca relação entre alimentação e saúde emocional

Nutricionista explica como hábitos alimentares influenciam o bem-estar psicológico e alerta para riscos de dietas restritivas.

Por Redação

Reprodução

Durante o Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, especialistas chamam atenção para um fator que vai além do cuidado emocional: a alimentação. A forma como nos alimentamos influencia diretamente o equilíbrio psicológico, ao mesmo tempo em que emoções, estresse e ansiedade interferem nas escolhas alimentares do dia a dia.

Segundo o nutricionista especializado em comportamento alimentar e docente da Estácio, Cleverton Madeira Barbosa, a saúde do cérebro depende de nutrientes específicos. O ômega-3, presente em peixes, chia e linhaça, está associado à cognição e à redução de sintomas depressivos. Já as vitaminas do complexo B, encontradas em carnes, ovos e laticínios, participam da produção de neurotransmissores. Minerais como magnésio, zinco e ferro auxiliam na comunicação entre neurônios, enquanto o triptofano, presente em banana, aveia, cacau e leite, é precursor da serotonina, substância ligada ao humor e à sensação de bem-estar.

O especialista destaca que padrões alimentares desequilibrados podem impactar negativamente a saúde emocional. “Estudos apontam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associado a maior risco de sintomas ansiosos e depressivos, enquanto uma alimentação mais equilibrada tende a reduzir esses riscos”, explica.

Apesar da relação direta entre alimentação e saúde mental, Barbosa reforça que não existem alimentos milagrosos e que a nutrição, sozinha, não substitui tratamentos médicos ou psicológicos. Manter regularidade nas refeições, incluir diferentes grupos alimentares e respeitar sinais de fome e saciedade contribui para a estabilidade do humor e da energia ao longo do dia. “Tão importante quanto o que se come é a forma como se constrói a relação com a comida”, pontua.

Vontade de doces e comportamento alimentar

O desejo por doces, comum a muitas pessoas, pode ter diversas origens, como estresse, busca por recompensa imediata, alterações hormonais ou dietas restritivas. O problema, segundo o nutricionista, surge quando o doce passa a ser usado como principal estratégia para lidar com emoções difíceis.

Práticas como jejum prolongado e dietas muito restritivas, geralmente associadas ao emagrecimento rápido, tendem a aumentar a ansiedade e o risco de transtornos alimentares. Nesse contexto, a atuação do nutricionista especializado em comportamento alimentar ajuda a identificar gatilhos emocionais, diferenciar tipos de fome e reduzir a culpa associada ao ato de comer. O foco, segundo Barbosa, não é a proibição, mas o resgate da autonomia e do prazer de se alimentar.

Comer consciente

Entre as estratégias indicadas está o comer consciente, que envolve atenção plena durante as refeições: comer com calma, longe de telas, observando sabores, aromas e texturas. Esse hábito favorece a digestão, aumenta a saciedade e contribui para uma relação mais equilibrada com a comida.

Para o nutricionista, cuidar da saúde mental exige um olhar integrado. A alimentação não substitui terapias ou acompanhamento médico, mas pode atuar como um suporte importante quando combinada a práticas como atividade física, psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico. “Quando a alimentação deixa de ser vista como vilã e passa a ser aliada, o cuidado com a saúde mental se torna mais humano e eficaz”, conclui.