Carnaval exige atenção à saúde bucal; beijo e álcool podem favorecer infecções
Especialista alerta para risco de herpes, mononucleose e inflamações após dias de folia.
Beijos, aglomerações, consumo de álcool e poucas horas de sono podem aumentar o risco de infecções bucais durante o Carnaval. O contato intenso entre pessoas favorece a troca de saliva e, aliado à queda da imunidade, cria um ambiente propício para o surgimento de doenças na cavidade oral.
Segundo a cirurgiã-dentista e professora de Odontologia da Estácio Laís Guimarães, o beijo é uma das principais formas de transmissão de microrganismos. “Associado ao cansaço físico, à desidratação, ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e à queda da imunidade, esse contato cria um cenário propício para infecções bucais”, explica.
Entre as condições mais comuns está o herpes simples labial, causado pelo vírus HSV-1. O vírus pode permanecer no organismo e ser reativado em momentos de estresse e baixa imunidade, situações frequentes durante a folia. “Lesões ativas são altamente transmissíveis. Por isso, o ideal é evitar beijos e procurar orientação profissional ao perceber os primeiros sinais”, alerta.
Outra infecção associada à troca de saliva é a mononucleose infecciosa, conhecida como “doença do beijo”. Embora não seja exclusivamente oral, pode começar com sintomas na garganta, como dor e inflamação. A candidíase oral também pode surgir ou se agravar nesse período, especialmente em pessoas desidratadas ou que consomem muito álcool. Placas esbranquiçadas, áreas avermelhadas e ardência na boca são sinais que exigem avaliação profissional.
Após o Carnaval, também é comum o aumento de aftas, lesões traumáticas, gengivite e mau hálito. A combinação de higiene bucal inadequada com consumo frequente de açúcar e bebidas alcoólicas favorece inflamações e sangramentos gengivais.
A orientação é manter a rotina de escovação, usar fio dental diariamente, beber bastante água e evitar compartilhar objetos pessoais. “Manter a escovação regular, usar fio dental, hidratar-se bem, evitar compartilhar objetos e redobrar o cuidado ao perceber qualquer lesão na boca são medidas simples que fazem toda a diferença”, reforça a especialista.