Do sedentarismo ao autocuidado: Quando a tecnologia deixa de ser vilã e passa a aliada do corpo

O tempo prolongado em telas já é apontado como um fator de risco para problemas físicos que podem comprometer a qualidade de vida.

Por Redação

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O avanço da tecnologia e a presença constante de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos têm transformado a rotina da população, mas também acendem um alerta importante para a saúde. O tempo prolongado em frente às telas, muitas vezes associado a longos períodos sentado ou deitado, já é apontado como um fator de risco para problemas físicos que podem comprometer a qualidade de vida a longo prazo.

De acordo com o coordenador do curso de Educação Física da Estácio, Renato Souza, o impacto não se limita ao cansaço visual ou à distração mental. “As pessoas que passam muitas horas sentadas ou deitadas com dispositivos eletrônicos enfrentam dois grandes problemas: o estímulo excessivo do sistema neurológico pela tela e a falta de ativação do sistema músculo-esquelético”, explica. Segundo ele, a ausência de contração muscular ao longo do dia reduz a saúde dos músculos e dos ossos, o que pode afetar diretamente a longevidade.

O cenário acompanha uma tendência global de aumento do sedentarismo, impulsionada por rotinas cada vez mais digitais, seja no trabalho, no lazer ou nas relações sociais. Na prática, isso significa menos movimento ao longo do dia e maior propensão a dores musculares, perda de força e até doenças crônicas associadas à inatividade física.

Ao mesmo tempo em que a tecnologia contribui para esse quadro, ela também surge como aliada em estratégias de monitoramento da saúde. Relógios e pulseiras inteligentes, por exemplo, têm ganhado popularidade por acompanhar dados como frequência cardíaca e desempenho durante exercícios. Para o especialista, esses dispositivos podem ser úteis, especialmente para pessoas com alguma restrição de saúde. “Eles são bem-vindos para monitorar o desempenho, mas não são indispensáveis para começar a se exercitar. O mais importante é escolher um equipamento que caiba no bolso e ofereça informações realmente relevantes para a sua prática”, orienta.

Outra tendência crescente é o uso de aplicativos e vídeos para a prática de atividades físicas em casa. Apesar da praticidade, essa alternativa exige cautela, principalmente entre iniciantes. Renato Souza alerta que a ausência de orientação profissional pode comprometer a execução correta dos movimentos. “Alguns exercícios precisam de correção imediata, algo que só um profissional qualificado consegue oferecer. Para quem não tem histórico de atividade física ou repertório motor desenvolvido, o uso dessas ferramentas não é o mais indicado”, afirma.

Para aqueles que já possuem experiência, os riscos são menores, mas a recomendação ainda é manter algum tipo de acompanhamento especializado sempre que possível. A orientação adequada, segundo o especialista, é fundamental para garantir não apenas resultados mais eficientes, mas também a prevenção de lesões.

Diante desse cenário, o desafio contemporâneo é encontrar equilíbrio entre o uso inevitável da tecnologia e a manutenção de hábitos saudáveis. Pequenas mudanças na rotina, como pausas regulares, alongamentos e a inclusão de atividades físicas orientadas, podem fazer diferença significativa na saúde ao longo do tempo.