TDAH em adultos afeta trabalho, relacionamentos e ainda enfrenta estigmas

Especialista alerta para os desafios do diagnóstico tardio e defende adaptações simples nas empresas para melhorar a qualidade de vida e a produtividade de profissionais com TDAH.

Por Redação

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O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) não é uma condição restrita à infância. Caracterizado por desatenção, inquietude e impulsividade, o transtorno pode persistir na vida adulta e comprometer o foco, a organização, o controle dos impulsos e os relacionamentos, tanto na vida pessoal quanto no ambiente de trabalho. Segundo a Federação Mundial de TDAH, 5,9% dos jovens e 2,5% dos adultos no mundo convivem com o diagnóstico.

A psicóloga e professora do curso de Psicologia da Estácio, Marciléa Dias, explica que um dos principais desafios enfrentados pelos adultos com TDAH é a adaptação ao cotidiano profissional. Para ela, muitas empresas ainda não estão preparadas para lidar com a neurodivergência e acabam atribuindo comportamentos do transtorno a falta de interesse ou comprometimento. “Muitas empresas ainda não estão prontas para lidarem com a neurodivergência e acabam rotulando essas pessoas que apresentam quadro de TDAH como pessoas desatentas, preguiçosas e desinteressadas. Mas as empresas podem tomar atitudes simples para lidar com isso, como flexibilização de horário, instruções passadas por escrito em vez de só falada, evitar que essas pessoas fiquem expostas a poluição sonora e visual, e formalizar essas instruções de maneira que todos os colaboradores possam contribuir para que a produtividade desse profissional se torne cada vez maior”, destaca.

Sintomas do TDAH na vida adulta

Além da impulsividade, inquietação e dificuldade de organização, adultos com TDAH podem apresentar problemas de relacionamento, procrastinação severa, dificuldade para gerenciar o tempo e cumprir prazos. De acordo com Marciléa Dias, identificar o transtorno nessa fase da vida costuma ser mais complexo, já que muitos adultos desenvolvem estratégias para mascarar suas dificuldades e se adaptar às exigências sociais. “Identificar o TDAH exige do adulto uma investigação profunda e busca por especialistas, como psiquiatras e neuropsicólogos, para chegar ao diagnóstico, mesmo que tardio. E entre os sintomas mais comuns do TDAH nesta faixa etária estão também a procrastinação severa, grande dificuldade de gerenciar o tempo e cumprir prazos, a desorganização e uma impulsividade que podem afetar tanto as conversas quanto às decisões do dia a dia, afetando a vida social e o ambiente de trabalho”, explica.

A psicóloga ressalta ainda que o transtorno costuma ser associado apenas a crianças mais agitadas, mas acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida. “Aquela agitação da infância vai diminuindo e na vida adulta se transforma numa grande inquietação mental, podendo levar a quadros de depressão e de ansiedade.”

Tratamento

Segundo a professora, o TDAH tem tratamento, realizado por meio de psicoterapia e, quando necessário, com o uso de medicação. “Quando uma pessoa com TDAH não busca ajuda, ela traz prejuízos para si mesma, para sua vida profissional, familiar, amorosa e em todas as suas relações, pois ela poderá ser sempre mal interpretada. Por isso a importância de os adultos procurarem ajuda para terem o quanto antes esse diagnóstico e melhorarem sua qualidade de vida”, finaliza Marciléa Dias.