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O perigo que vem pelo ar: entenda os riscos do dióxido de enxofre para a saúde

Após denúncias de emissão de fumaça em Juiz de Fora, especialista explica como o gás tóxico age no organismo e alerta para os riscos de problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.

Por Redação

Reprodução

A ameaça pode ser invisível, mas seus efeitos podem ser sentidos a cada respiração. Ardência nos olhos, irritação na garganta, tosse, aperto no peito e falta de ar estão entre os sintomas provocados pela exposição ao dióxido de enxofre, um gás tóxico associado a atividades industriais. Em Juiz de Fora, a recente paralisação de operações de uma indústria, após denúncias de moradores sobre a emissão de fumaça, reacendeu a preocupação com a qualidade do ar e os riscos da poluição atmosférica para a saúde da população. Mas o que é esse gás, como ele age no organismo e quais são as consequências da exposição?

Segundo o biólogo Hyago Pereira, professor dos cursos da área da Saúde da Estácio, o dióxido de enxofre (SO?) é um gás incolor, de odor forte e irritante, semelhante ao cheiro de fósforo queimado. Ele pode ser liberado pela queima de combustíveis fósseis em indústrias e usinas, além de processos de fundição de metais. Também pode ter origem natural, como nas erupções vulcânicas.

O especialista explica que a toxicidade da substância está diretamente relacionada à concentração presente no ar e ao tempo de exposição. Ao ser inalado, o gás entra em contato com a umidade das mucosas do sistema respiratório, provocando irritação e inflamação. Dependendo da intensidade da exposição, as consequências podem ultrapassar o desconforto inicial e comprometer seriamente a respiração. "Os primeiros sintomas podem incluir ardência nos olhos, irritação no nariz e na garganta, tosse, sensação de aperto no peito e dificuldade para respirar", alerta Hyago.

Em concentrações mais elevadas, o dióxido de enxofre pode desencadear broncoespasmo, uma contração dos músculos dos brônquios que dificulta a passagem do ar. Nos casos mais graves, a exposição pode provocar lesões pulmonares potencialmente fatais.

O risco é ainda maior para pessoas com asma, que podem apresentar crises mesmo após exposições de curta duração. Crianças, idosos e indivíduos com doenças pulmonares ou cardiovasculares também estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da substância.

Outro ponto de preocupação é que os danos não se limitam às situações de exposição imediata. Segundo o biólogo, o contato prolongado ou repetido com o dióxido de enxofre pode prejudicar o trato respiratório e agravar problemas de saúde já existentes.

Os impactos também ultrapassam a saúde humana. Na atmosfera, o dióxido de enxofre pode participar de reações químicas que favorecem a formação de partículas finas e da chuva ácida, prejudicando os ecossistemas, a vegetação e os recursos hídricos.

Para Hyago Pereira, controlar as emissões desse gás é fundamental para proteger a saúde pública e o meio ambiente. Conhecer os riscos da substância também ajuda a compreender como a poluição atmosférica interfere diretamente na qualidade de vida.

O episódio registrado em Juiz de Fora reforça a importância de discutir os impactos das emissões atmosféricas e a necessidade de proteger a população dos riscos associados à poluição. Como destaca o biólogo, "respirar ar de qualidade não é apenas uma questão ambiental, é uma questão de saúde".