Promessas e compromissos
Promessas e compromissos
Para os políticos que ascenderão ao cargo pela primeira vez, a carteira de intenções e de credibilidade está abarrotada. Prometeram educação, saúde, esporte, lazer, dinheiro, moradia e salário mínimo decente para os brasileiros, nos palanques eleitorais, entre agosto e outubro. Aqueles que já estavam lá, voltam com a missão de uma reconquista com o povo. Novas promessas, novo discurso, uma nova chance de fazer diferente. O problema é que assim que entram por lá, rola aquele relaxamento (em alguns casos, má intenção) e quando o mandato começa a se desbotar, tudo fica pra trás. E só reaparecerão com entusiasmo daqui a quatro anos. Quando precisarão reconquistar o voto, o povo, o cargo político. E isso fica tão evidente para quem está de fora...
O problema é que quando é a gente que faz as tais promessas, isso não fica lá muito claro. Os quilos a perder ou a ganhar em 2011. A não traição à esposa. A atenção que tem que ser dada aos filhos. O funcionário mais dedicado no trabalho, que precisamos. O beber menos. O parar de fumar... Ufa! — É muita promessa pra pouco ano. Tudo catalogado, quando vestiremos o branco no dia 31 de dezembro. Tudo prometido, quando pularemos as sete ondas, quando chupamos as três uvas e pularemos três vezes.
E teremos desculpas de sobra para o que não conseguirmos realizar. Não é só o mandato que desbota. O ano também. Os quilos a serem perdidos em 2011 podem ter se multiplicado ali em meados de agosto. "É que eu fiquei triste com o fim do meu noivado" ou "Estou trabalhando demais e não tive tempo para academia". Tenho certeza de que ouvirei isso. Pior mesmo é se eu for um dos que disser uma dessas desculpas... Mas, não aceitarei nenhuma leviandade política dos nossos representantes!
Mais do que prometer uma vida melhor em 2011, políticos e cidadãos comuns devem ter compromisso com os seus objetivos. É conhecer e reconhecer a real capacidade de fazer as peças do jogo se movimentar. Não adianta prometer arrastar uma pedra de mil quilos, se você só aguenta segurar dez. É preciso ser razoável, coerente e ter muita força de vontade com as brigas que pensamos em comprar. Tudo isso, sob a pena de nos frustrarmos e de frustrar quem convive conosco.
Se não der para parar de fumar, fume menos. Se a bebida é mais forte do que você, pelo menos, vá de táxi. E ao pessoal que começa o ano como deputado, senador, governador e presidente, desejo muita sorte no novo ciclo. Mais do que com promessas para o novo, com compromisso com o povo. Independentemente do frescor do início e, principalmente, quando o passar do tempo começar a fazer o entusiasmo desbotar.
Juliano Nery nasceu no dia 31 de dezembro de 1980, justamente, quando o primeiro ano daquela década já estava pra lá de desbotado.
Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e Mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.