Finados
Foram seis dias em que a cidade se mobilizou e se encontrou nas salas do
Palace, Alameda e no Parque Halfeld. Merece destaque o excelente n?mero de
pessoas assistindo aos filmes no Parque Halfeld, tanto em Paulinho da
Viola - Meu Tempo ? Hoje, no s?bado, dia 12, como em Bendito
Fruto, domingo, dia 13. Nas sess?es competitivas, o p?blico lotou a sala
1 do Espa?o Unibanco Palace, principalmente na quinta-feira, dia 10 de
novembro. Al?m disso, a boa acolhida tanto de realizadores como de
p?blico ? Mostra Audiovisual de Juiz de Fora mostrou a for?a do atual cinema
juizforano, na tela, e da galera que vem por a?, na plat?ia.
O mesmo aconteceu
com ?dique?, tamb?m com sala cheia nos dias 11 e 12 de novembro.
Quanto a este, trata-se de um filme pol?mico sobre as perip?cias de um grupo
de adolescentes da classe m?dia carioca durante uma noite em que decidem
sequestrar um amigo rico para conseguirem dinheiro para viajar no Carnaval.
? la Quentin Tarantino, o filme vai revelando a s?rie de arma?es dos
rapazes, que, num final no m?nimo problem?tico, se d?o bem e conseguem o
dinheiro da viagem.
Seja como for, o sucesso dos dois filmes expressa bem o momento por que
passa o cinema brasileiro: o di?logo com a TV ou com o cinema americano como
forma mais f?cil de cativar o p?blico, com enredos, em ambos os casos, menos
complexos e mais envolventes. Destino diferente teve Cafun?. Embora
com defeitos, o filme merecia uma melhor aten??o, sobretudo por seu trabalho
com o tempo. ?s vezes tudo passa r?pido demais, como quando o casal formado
por Priscila Assum e L?cio Andrey tem um filho e se muda. Outras vezes,
vemos a cena quase que em tempo real, como no medo vivido pela m?e da
protagonista no sinal fechado durante a madrugada, plano que dura o que o
sinal leva para abrir. Al?m disso, h? o flashback do ep?logo, mais
l?rico que explicativo, ap?s um final mais aberto que did?tico.
Dos curtas, cabe ressaltar sobretudo a variedade de temas e est?ticas. Basta
considerar alguns dos premiados para se ter uma id?ia disso. Tomemos dois
extremos como Sequestramos Augusto C?sar, que deu ? dupla Eduardo
Moraes e Lauro Montana o pr?mio de melhor ator, e Homens Pequenos no
Ocaso Projetam Grandes Sombras, melhor fotografia e dire??o de arte. O
primeiro ? uma com?dia escrachada, contando a hist?ria do seq?estro simulado
por dois amigos, o pobret?o e malandro Marc?o, sequestrador, e o playboy
Augusto C?sar, sequestrado. O mais interessante n?o ?, contudo, a tem?tica
do filme, que, por si s?, poderia redundar num filme absolutamente fraco.
O que merece nota ? o modo como o jovem diretor Guilherme Campos conseguiu
misturar a est?tica de um Guy Ritchie, na c?mera e no encadeamento das
situa?es, com a orienta??o deliberadamente tosca e escrachada de um Hermes
e Renato. O pastiche tem um resultado hilariante na tela, sem cair na
imita??o esquem?tica, como a que encontramos no tarantinesco Fui!!!,
de Guilherme Fi?za. No outro extremo encontramos Homens Pequenos...,
que deu o pr?mio de melhor fotografia para Guga Millet. ? um filme de
experimenta??o, mais de choque que de enredo. Para atinar com as refer?ncias
- at? onde precisamos delas - podemos dizer que o filme de Tim Gerlach
mistura, de forma igualmente inusitada, uma est?tica a la Rog?rio Sganzerla,
na caracteriza??o ir?nica e iconoclasta dos personagens, na primeira metade,
com o melhor de um Tarkovski, com os longu?ssimos planos da metade em
diante.
A julgar por estes e outros bons filmes que estiveram no Festival, como o
tamb?m excelente Sobre a Mar?, de Guile Martins, que levou o pr?mio
especial do j?ri, e Mestre Humberto, de Rodrigo Savastano,
merecid?ssimo pr?mio de melhor montagem, a nova safra de cineastas promete
arejar o mercado cinematogr?fico nos pr?ximos anos com id?ias novas e um
pouco mais de ousadia.
Que o cinema brasileiro est? precisando!
Nilson Alvarenga
Luzes da Cidade - Grupo de Cin?filos e Produtores Culturais