Linguagem e constituição do sujeito: como nos tornamos quem somos

Um minicurso gratuito sobre o tema será ministrado no dia 16 de abril. As inscrições estão abertas.

Por Jungley Torres

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Desde Sócrates, já se intuía que a palavra viva não era apenas um meio de comunicação, mas um caminho para o próprio conhecimento de si. Ao dialogar nas praças de Atenas, Sócrates não transmitia verdades prontas, ele provocava, interrogava, oportuniza nascer, pela linguagem vívida/diálogo, aquilo que já habitava o interior de cada um. A linguagem, ali, não era instrumento: era acontecimento.

Séculos depois, Aristóteles dirá que o ser humano é um “animal dotado de logos"; com efeito, não apenas alguém que fala, mas alguém que dá sentido, interpreta, argumenta e constrói mundo por meio de uma rede linguística. A linguagem, nesse horizonte, não apenas descreve a realidade, ela participa da sua constituição.

Pensadores como Wittgenstein irão radicalizar essa compreensão ao afirmar que “os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo”. Aquilo que podemos dizer, nomear e expressar delimita também aquilo que podemos compreender e viver.

No campo da hermenêutica, aprendemos que toda compreensão é um evento linguístico que nos forma, coforma, autoforma e transforma.

Essa dimensão também pulsa na literatura brasileira. Em João Guimarães Rosa, a linguagem reinventa o mundo ao reinventar as palavras; em Clarice Lispector, ela se torna quase um limite, ou uma tentativa, de dizer o indizível da existência. Em ambos, não se trata apenas de narrar histórias, mas de mostrar que a linguagem é o lugar de onde a vida se desvela, e, muitas vezes, se oculta.

Por isso, pensar a linguagem é, no fundo, pensar a nós mesmos;

é pensar naquilo que nos constitui existencialmente.

Sobre este tema, vou ministrar um minicurso gratuito. As inscrições estão abertas neste link.