Paulo César Paulo César 3/9/2011

Chatices e bobagens na nova aventura da Chapeuzinho

O filme Deu a Louca na Chapeuzinho 2 é mais uma continuação infeliz feita pelo cinema nos últimos anos. Não simplesmente pelo fato de o longa dirigido por Mike Disa ser ruim, mas por estar muito abaixo do já contestado primeiro filme da série lançado em 2005. Em uma época em que as animações estão cada vez mais sérias e bem feitas, esta foi uma grande perda de tempo e dinheiro, que, provavelmente, ficará pouco tempo em cartaz.

Nesta continuação, depois de vencerem o grande vilão Coelho no primeiro filme, os heróis agentes secretos de uma entidade, que tem como missão manter os finais felizes no mundo das historinhas, sofrem com o sequestro da Vovozinha, pelos malvados João e Maria (!). Então cabe à mais talentosa das agentes, a personagem-título Chapeuzinho, o duro dever de salvá-la com a ajuda de seu amigo, adversário, ou sei lá o que, Lobo Mau.

A ideia é batida. Ver personagens da literatura infantil mundial desempenhando um papel diferente do convencional é um roteiro mais que surrado pelas quatro franquias de Shrek, que se mostrou cansativa e dispensável, principalmente no último filme lançado ano passado. Agora, imaginem toda a chatice repetitiva em uma produção tecnicamente inferior ao clássico imortal do simpático ogro. Além disso, o plágio irritante de produções, como Kung Fu Panda e Kill Bill, e as tiradas idiotas e sem sentido o tornam um filme dispensável.

Esta premissa pobre e confusa, nada mais é do que uma simples transposição dos poucos elementos que deram certo no primeiro filme, como o hilário bode cantor (que nesse faz apenas pontas musicais sem graça), o esquilo Nervosinho e a super Vovozinha, numa tentativa clara de arrecadar alguns milhões de bilheteria.

A montagem, único aspecto interessante do primeiro filme, que trazia à tona os fatos sob a ótica de cada personagem, foi abandonada nesse segundo filme. Na verdade, poderia ser a salvação do roteiro atabalhoado e chato. Porém, se a ferramenta também estivesse presente na exibição, seria um remake, e não uma continuação. Sendo assim, não teria mesmo como dar certo.

O que sobra disso tudo é um esqueleto de um filme que nem era para ter sido feito. Um desperdício de tempo e um exercício de falta de criatividade que só alegra aos críticos que insistem em torcer o nariz para o gênero. Tomara que pare por aí, senão muita gente vai começar a odiar a pobre da Chapeuzinho, que não tem nada a ver com isso.


Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema. Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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