Paulo César Paulo César 22/10/2011

Gigantes de Aço empolga e supera as expectativas 

A primeira vista, Gigantes de Aço parece mais um desses blockbusteres recheados de efeitos visuais, com um olho bem gordo no público que movimentará milhões em bilheteria por todo o mundo. Entretanto, o longa dirigido por Shawn Levy, e produzido pelo incansável mecenas do mundo da ficção Steven Spielberg nos apresenta uma história divertida, com efeitos na medida, e principalmente uma justa homenagem a um dos maiores clássicos de boxe.

Se lermos a ficha técnica do filme e descobrirmos que se trata de uma adaptação do conto Steel (1954) de Richard Matheson, então já era de se esperar um roteiro em que traria um homem em uma situação de auto conhecimento ou flagelação. Fato que pode ser constatado em textos adaptados de suas obras como Eu Sou a Lenda, que ganhou três versões para o cinema, sendo a mais recente, homônima, em 2007. Além, é claro, de ter idealizado o primeiro filme de Spielberg, Encurralado, em 1971.

No caso de Gigantes de Aço, a adaptação de John Gatins, Dan Gilroy e Jeremy Levem se passa em 2020 e conta a vida de Charlie Kenton (Hugh Jackman), um ex-boxeador que vive de participar de pequenas lutas clandestinas de robôs, que passaram a substituir humanos nos ringues, pelo fato de o boxe ter sido considerado violento demais. Quando fica sabendo da morte de uma ex-namorada e ter de abrir mão da guarda do filho, Max (Dakota Goyo), que nunca quis conhecer, Kenton muda de ideia quando descobre que a família tem dinheiro e decide extorquir o tio do garoto. Antes, porém, tem que cumprir o trato e ficar algum tempo com o garoto, levando-o a conhecer o mundo das lutas robóticas.

A história é simplória e de fácil previsão de desfecho, porém, o conteúdo cômico, recheado de um humor malicioso, característico do estilo do diretor, deixa o filme mais interessante e menos piegas. Os conflitos psicológicos ganham um teor menos intenso, o que evita que o roteiro se perca em complexos e superficiais lições de moral, assim como aconteceu em Falcão, O Campeão dos Campeões, estrelado por Stalonne. A proposta é costurar o aprendizado do trapalhão Charlie sem se apegar a sentimentalismos, estruturado por uma franqueza irônica entre os personagens.

Jackman faz um trabalho razoável, apesar da sempre presente aura de seu inesquecível Wolverine, enquanto o jovem Dakota Goyo se esforça, mas só consegue ser menos canastrinha nas cenas de dança. Contudo, estiveram em tão boa sintonia que isso pouco interferiu no desenvolvimento da trama.

A clara referência ao excelente Rocky, Um Lutador (1976) na última luta do filme (o sucateado Atom enfrentando o campeão Zeus, é Rocky Balboa versus Apollo Creed), é tão empolgante e eletrizante quanto o original. Uma homenagem mais do que justa a um dos melhores e mais emocionantes filmes que o cinema já concebeu.

E para Spielberg foi a salvação de sua lavoura como produtor. Sem exagerar nos efeitos visuais, o filme conseguiu ser bem melhor que o insosso Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles, e mais atraente que o fraco Cowboys e Aliens. Fez do projeto mais simples que tinha em mãos, seu melhor produto final. Pelo menos até seu tão aguardado War Horse.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

 

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