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    Pianista juizforana foi única brasileira em festival na ItáliaDaniele Espíndola tocou no Festival Musical das Nações em Roma. Evento tem mais de duas décadas e atrai músicos de todo o mundo

    Clecius Campos
    Repórter
    27/8/2010

    A pianista juizforana Daniele Espíndola pode se orgulhar em dizer que foi uma das atrações do Templo da Música, evento integrado ao Festival Musical das Nações, que ocorre durante todo o verão em Roma, na Itália. A musicista foi a única brasileira a integrar o programa do evento. Ela realizou sua apresentação em junho, no início do festival, que segue com atrações até 3 de outubro.

    "Foi um dos momentos marcantes da minha carreira. É um evento no qual ocorrem apenas concertos, sem aulas, como comumente ocorre nos festivais brasileiros. Fui bem recebida. O Teatro Marcello estava lotado. O interessante foi perceber que na Europa se valoriza aquilo que você faz e não quem você é ou de onde você vem." O evento tem mais de duas décadas de existência e atrai músicos de todo o mundo.

    A aceitação para se apresentar no festival faz jus ao currículo de Daniele. A pianista termina mestrado de Práticas Interpretativas em Piano na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e conta com diversas apresentações públicas. "É estranho, pois morria de medo de tocar em público. O costume de me apresentar começou na época da faculdade [Daniele é formada em piano pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG], já que havia a obrigação de tocar para plateias. Tive que vencer isso na marra, então resolvi fazer apresentações em todas as audições, concertos, festivais e recitais disponíveis."

    Foi quando Daniele sentiu-se mais à vontade para receber os aplausos do público. Entre as apresentações mais marcantes, está o recital de formatura de graduação na UFMG. "Passei por algumas dificuldades na graduação e fui até um pouco desestimulada. O recital de formatura foi um momento de missão cumprida, que veio junto com muitos elogios da banca." O recital do mestrado também marcou a carreira de Daniele. "O evento ocorreu no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Estava bem cheio e o público carioca é extremamente caloroso. Foi fantástico."

    Foto de Daniele Espíndola ao piano Foto de Daniele Espíndola ao piano

    Outra apresentação importante ocorreu em Juiz de Fora, durante um festival de verão, em 2006. "O teatro da Sociedade Filarmônica estava lotado. Toquei uma obra de um autor brasileiro e fui muito aplaudida.

    Pesquisa em música brasileira
    A música brasileira é o tema do mestrado de Daniele na UFRJ. Sua pesquisa estuda a peça Suíte Litúrgica Negra, do brasileiro Brasílio Itiberê Sobrinho (vídeo acima). A canção demorou quase dois anos para ser composta (1939 - 1941) e tem como temática a cultura afro. "Pelos estudos, a canção parece tratar de entidades do candomblé. É composta por três movimentos, cada um com o nome de um orixá: Xangô, Ogum e Protetor Exu."

    Daniele conheceu a peça durante a graduação, mas se esqueceu dela, por ser pouco tocada. "Vi um amigo pianista tocando e percebi que a música poderia ser tema de um estudo em pós-graduação. A canção tem um andamento interessante, diferente, é pouco conhecida." Ela rebate possíveis críticas de que seu estudo é apologia a qualquer religião. "Fui conhecer um pouco das religiões afro-brasileiras no mestrado. Não há como dizer se o próprio Sobrinho tinha relação com qualquer crença. O certo é que a música evoca uma cultura afro-brasileira, que sempre foi o foco das pesquisas do compositor."

    Talento herdado da avó

    O primeiro contato de Daniele com a música foi em família. Aos quatro anos de idade, a musicista via sua avó, também pianista, dedilhar um pequeno teclado. "Foi quando começou meu interesse. Tirava algumas músicas de ouvido e ficava insistindo com minha mãe para estudar piano. Ela pensava que era fogo de palha. Me matriculou no balé, na natação. Detestava. Queria mesmo música." Aos 13 anos, o desejo de Daniele foi realizado.

    Hoje, a pianista é professora particular e dá aulas em uma escola da música no Rio de Janeiro, onde vive. Os projetos para o futuro são fazer um curso de aperfeiçoamento no exterior e continuar tocando. "Quero tentar a carreira acadêmica. É uma segurança para quem quer trabalhar com música."

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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