Juiz-forano faz arte com nanquim e bico de penaLuiz Gonzaga começou a desenhar aos 12 anos, inspirado em quadrinhos, literatura e cinema. Hoje, ele destaca-se com o preto e branco

Victor Machado
*Colaboração
27/4/2011
Imagem de tela

Inspirado em quadrinhos, literatura e cinema, o artista Luiz Gonzaga começou a desenhar, ainda pequeno, aos 12 anos. Hoje em dia, ele produz desenhos com nanquim — material corante utilizado principalmente para desenhos e aquarelas — e bico de pena.

Gonzaga acredita que começou a se interessar pelos desenhos porque não tinha televisão em casa e, por isso, lia muitas revistas em quadrinhos. "Costumo dizer que desenho desde sempre, mas os quadrinhos me fizeram começar a produzir." Ainda menino, começou a copiar os desenhos preferidos e se destacar na escola, depois que os amigos passaram a pedir seus desenhos de presente.

A inspiração para começar a criar suas próprias figuras veio depois de uma provocação de um dos colegas. "Me falaram que eu só sabia copiar, foi então que passei a criar traços. Certo dia uma professora gostou do meu potencial e me levou para conhecer o ateliê do Petrilo [artista plástico]. Foi quando construí uma identidade visual e artística."

Gonzaga explica que sempre desenhou em preto e branco. Inicialmente, ele utilizava a caneta esferográfica, depois passou para o grafite, até conhecer o bico de pena. "A caneta esferográfica deixa um tom bonito, mas, ao longo do tempo, ele vai queimando. O nanquim é bem melhor e não queima, apesar de ser mais difícil." O material, segundo ele, é delicado e exige mais atenção e mão firme. "Qualquer movimento errado, a pessoa perde todo o trabalho."

Principal trabalho

Para o artista, todo trabalho é prazeroso, mas, o primeiro produzido com nanquim é um dos mais marcantes na carreira dele. "Pela dificuldade de ser o primeiro e porque não tinha a prática, o desenho chamado A moeda é o melhor. Hoje, minha qualidade artística aumentou bastante e é visível a diferença, mas aquele trabalho foi marcante." Atualmente, Gonzaga está com uma série de trabalhos parada. A MNC, iniciada em 2006, é a produção de telas de aproximadamente dois metros, feitas em nanquim. Cada tela leva de quatro a seis meses para ficar pronta. A expectativa do artista é produzir 13 obras para a série.

Imagens: Reprodução/Luiz Gonzaga

Inspiração

Segundo Gonzaga, a inspiração para os desenhos vem a qualquer momento. No entanto, ele explica que o único pensamento no início da produção é definir a forma geométrica que dará a possibilidade de construir outras figuras. "Por exemplo, penso em um círculo e vou tentando encaixar o que imaginei. Todos os detalhes e o grosso do desenho saem na hora." A inspiração do artista vem dos sentimentos dele e pela busca coisas novas.

Apesar das inspirações, Gonzaga tem dificuldade em conciliar o trabalho com estampas e a arte. "Atualmente, não tenho muito tempo para produzir." Ele lamenta não poder criar os desenhos exatamente na hora em que pensou. Mesmo assim, o artista vê na produção uma forma de aliviar o estresse do dia a dia. Seu sonho é participar de uma bienal de arte.

*Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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