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    Joãozinho da Percussão: ritmista carrega experiências com nomes consagrados da MPB

    Músico nunca deixou de lado o seu amor por Juiz de Fora e procura apoio para lançar o primeiro DVD

    Eduardo Maia
    Repórter
    31/08/2013

    Ele é o "mago" ou "mestre da percussão" ou, ainda, simplesmente o "menino João". Após construir uma carreira nacional e internacional, ao lado de nomes consagrados da Música Popular Brasileira, entre eles Benito de Paula, Jorge Ben Jor, Baby Consuelo e Pepeu Gomes, o ritmista João Baptista Pereira, o Joãozinho da Percussão, não deixa dúvidas em expressar qual o lugar onde prefere viver: Juiz de Fora.

    Sua paixão pela cidade, onde nasceu, foi criado e constituiu a família de dois filhos e um neto alimenta o seu desejo inicial, que era ser reconhecido na cidade pelo seu dom. Joãozinho não reluta em dizer que hoje se sente mais à vontade entre uma abordagem e outra do público que o encontra na porta do Teatro Pró-Música, onde vende os seus CDs, do que nos grandes palcos internacionais onde mostrou a força das maracas, pandeiros, bogôs, triângulos, tamborim, coquinhos, entre outros tantos instrumentos que lhe falham a memória ao listar. "Quando eu fico aqui na porta, o tempo todo eu só ouço coisas boas, comentários favoráveis ao meu trabalho. 'Eu levei o CD, o disco é muito bom', eles dizem. E eu sempre gostei desse afeto. Quando eu tocava para o público dançar, nos intervalos eu ia para as mesas para conversar com as pessoas. E eu sentia falta disso nos palcos. Aqui eu fico o dia inteiro. Às vezes, as pessoas param só pra me conhecer".

    De uma simplicidade cativante, o ritmista hoje busca apoio para realizar o sonho de registrar em DVD uma nova apresentação que ele pretende realizar em julho do ano que vem no Cine Theatro Central. O projeto marcará os 75 anos de vida e 60 de carreira do juiz-forano. Ele explica que os amigos e os músicos que o acompanham, o incentivam a levar adiante a proposta, mas que lhe faltam recursos para concretizá-la.

    Joãozinho sabe conduzir a paixão pela música distanciando-se dos encantamentos que o universo da fama propõe. Para ele, agir com naturalidade garante um trabalho de melhor resultado do que o deslumbrar-se pelo sucesso musical. "Quando estou no palco, tudo parece natural, normal. Um dos motivos do trabalho sair muito bom é esquecer um pouco a emoção. Eu posso estar no Olympia, em Paris ou em Londres e é a mesma coisa que estar tocando aqui no Pró-Música", salienta.

    Carreira

    Ao falar de suas performances no exterior, seja ao lado de Jorge Ben Jor, na gravação do Jorge Ben à l'Olympia, em 1975, seja ao lado de Chico Buarque, na gravação do álbum Le Zenith, em 1989, Joãozinho sabe destacar bem o prestígio que o suingue e dos tambores brasileiros demonstram lá fora. "Fora as experiências muito gratificantes, a gente fica muito conhecido pelo público e pelos artistas, e acabamos recebendo muitos convites."

    A paixão pela música começou logo na infância, entre cinco e seis anos, quando o garoto arriscava algumas performances na bateria do tio, que tocava no grupo da igreja de São Mateus. Os ensaios em casa eram a oportunidade para o artista começar a desenvolver os ritmos, dos quais nunca mais se distanciou. "Minha família sempre me apoiou. Quando o médico perguntou à minha mãe o que queria que eu fosse, ela respondeu: músico", relata, emocionado.

    Com o sonho de sobreviver do talento musical, Joãozinho deixou Juiz de Fora rumo à São Paulo na década de 60. Tocava em um duo junto ao amigo Fábio Valente em uma casa noturna da capital paulistana, quando recebeu um convite para integrar o Conjunto Célio Balona, fase que ele marcava presença nas apresentações na extinta TV Itacolomi, de Belo Horizonte. Joãozinho intercalava as apresentações da banda em bailes e na TV com a vida em Juiz de Fora, num constante trajeto até a capital mineira. 

    Benito e Jorge Ben Jor: o início da carreira no exterior

    Já na década de 70, recebeu um convite para retornar a São Paulo. E foi após tocar no casamento do compositor mineiro Mozar Terra, que conheceu o cantor Benito de Paula por intermédio do baterista Miltinho Brito, que integra o sexteto do Programa do Jô. "Fiquei mais ou menos uns cinco anos com Benito, numa experiência muito boa. Eu fui com ele para Buenos Aires e depois para Cannes, na França. Lá eu conheci o Jorge Ben", relata.

    Em uma noite brasileira em Cannes, em meados da década de 70, Ben Jor - à época ainda Jorge Ben - convidou Joãozinho a "dar uma canja" no palco e lançou a proposta: "vou ficar na Europa por uns 60 dias e quando voltar para o Brasil eu o convido para a gente conversar e 'atacar' com a gente", relembra. O convite foi aceito e durante dez anos Joãozinho integrou as bandas Admiral Jorge V e Zé Pretinho, do compositor. Entre os destaques neste período, está o disco África Brasil (1976), consagrado como o 22º lugar na lista dos 50 discos mais legais do mundo, promovida pela revista Rolling Stone e o 67º melhor disco brasileiro eleito também pela revista.

    A experiência com Chico

    Com Chico Buarque, o ritmista juiz-forano apresentou o repertório do disco Francisco (1987) no palco do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 88 e no ano seguinte no Espaço Mascarenhas em Juiz de Fora. Ele também retornou à França para a gravação do disco Le Zenith (1990), que rendeu ao cantor um disco de ouro. Joãozinho foi convidado a morar no Rio para acompanhar o cantor, mas preferiu ficar em Juiz de Fora. "Deixava o telefone de casa no hotel e dizia que se a produção ligasse era pra me ligarem que rapidinho ia para o Rio", relembra, com risadas.

    Ao lado de Baby Consuelo e seu ex-marido Pepeu Gomes, o ritmista também subiu aos palcos do Rock in Rio, além do Montreux International Jazz Festival, na Suíça, em 1980. Joãozinho também integrou o grupo da cantora Joyce, numa temporada pelo Rio Jazz Clube e também na gravação do álbum Línguas e Amores (1991), juntamente com uma turnê pelos Estados Unidos.

    De volta à JF: a carreira solo

    A partir de 2001, ele começou a investir na carreira solo, já de volta à Juiz de Fora. Foi quando lançou o CD Ritmo do Tempo, no teatro Pró-Música. O segundo disco, Encontros Casuais, marcou os seus 66 anos de vida e os 50 de carreira. E o terceiro foi Mistura Brasileira, gravado em companhia do grupo J Trio, de 2006. Todos eles rememoram ao período em que o artista acompanhou os grandes nomes da música, incluindo samba, jazz e bossa nova. 

    Joãozinho anseia a publicação do disco gravado em 2010 no Cine Theatro Central, quando comemorou seus 70 anos de vida. Segundo ele, o material está pronto, mas falta investimento para levar o projeto adiante. "Tivemos a ideia de colocar depoimentos de pessoas entre uma música e outra. Mas isso ia atrasar ainda mais. É um disco para divulgação apenas aqui em Juiz de Fora mesmo. A gente que não tá na mídia nacional e internacional, a gente tem que ter a nossa mídia local", acredita.

    O valor ao talento e o exemplo

    Deixando de lado a preocupação com os arranjos perfeitos, Joãozinho afirma dar mais valor à criatividade dos músicos de criarem novos arranjos. "Se começar a mexer muito, já se perde as características da pessoa. E eu não gosto de mexer com o sentimento dos companheiros. Se eu vejo que algo pode melhorar, a gente dá umas dicas, sem magoar".

    Ele destaca que vive em grande harmonia junto aos músicos que o acompanham atualmente. "Quando convidei os músicos, eles entenderam muito bem o que eu queria fazer. A alegria que eles estão fazendo isso é contagiante e quando a gente valoriza os talentos, dá mais resultado. Cada vez que a gente toca, eles ficam mais alegres ainda", declara.

    Joãozinho também se emociona ao perceber a proximidade do neto Iago, de apenas 2 anos, com a vida musical. "A vida dele já é essa. Ele sobe ao palco e quando eu solto, ele quer tocar, quer dançar. Só que ele tá começando mais cedo do que eu. Ele até já deu a 'canja' dele no Pró-Música. Eu fico muito feliz pois me vejo nele", emociona-se.

    Fotos: Arquivo Pessoal

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