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Classe artística juiz-forana cobra apoio da mídia local na divulgaçãoPara o proponente da reunião, lei de incentivo deveria atender de forma mais efetiva a finalidade com que foi criada

Jorge Júnior
Repórter
7/12/2011

A classe artística de Juiz de Fora cobrou, em audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira, dia 8 de dezembro, na Câmara Municipal, o apoio da mídia na divulgação da produção local.

De acordo com o vereador proponente da reunião, Roberto Cupollilo (PT), embora o município conte com uma legislação de incentivo à cultura, não existe garantia de divulgação dos trabalhos. "A lei de incentivo poderia atender de forma mais efetiva a finalidade com que foi criada: a de valorizar os trabalhos locais", diz.

O vereador também cobrou uma participação mais efetiva das rádios da cidade, que segundo ele, poderiam ser as maiores divulgadoras das músicas produzidas pelos artistas da cidade. O legislativo também sugeriu que a Rádio Câmara apoie os locais, divulgando suas músicas no veículo. "Em Juiz de Fora estão faltando rádios públicas, que divulguem as produções locais, sem fins comerciais", ressaltou o jornalista Francisco Teixeira.

Essa falta de divulgação, segundo o médico e músico Márcio Itabory é um panorama atual. "Na década de 70 existia em Juiz de Fora um espaço dos músicos nas rádios. Agora, não vemos isso mais. Se a mídia não leva a arte, a música não vai para o povo." Para o coordenador do projeto CineClube Bordel Sem Paredes, Jean Martins, Juiz de Fora está entre as principais capitais do Sudeste, além de compor o estado de em Minas Gerais, considerado a maior exportador de música do país. "Com esse privilégio, a cidade tem que lutar para desenvolver e promover os músicos que existem nela."

A discussão, para o diretor do Centro Cultural Bernado Mascarenhas (CCBM), Guy Schmidt, deve ser mais ampla. "Temos que pensar não só na música, mas na cultura em geral. Falta um espaço de divulgação na mídia local, o CCBM não supre toda a demanda da cidade." Sobre a lei de incentivo à cultura, Schmidt, salienta que, na maioria das vezes, os artistas produzem e os materiais ficam estagnados. O apoio, para a jornalista Carú Rezende, não é uma questão de ajuda, mas de troca. "Atualmente, temos um campo mais aberto na região, mas quando há uma apresentação de porte nacional, a produção local sempre perde o espaço na mídia."

Falta produção

O problema da divulgação, segundo o radialista Airton da Silva, é a falta de produção local. Silva, que representa uma rádio da cidade, afirma que, na emissora, existia um espaço para os músicos juiz-foranos em um programa semanal, que ia ao ar às 22h dos domingos. Por falta de produção, o espaço teve que ser finalizado. Outro problema apontado pelo radialista é a falta de qualidade técnica. "Às vezes, o músico mandava um material, mas a qualidade não estava apropriada para ser divulgada na rádio."

No entanto, o músico Daniel Goulart afirma: "uma programação nesse horário é marginalizar os locais. Quando procurávamos o veículo, sentíamos que ele estava de portas fechadas para os músicos da cidade." Para o vereador José Soter de Figueirôa Neto (PMDB), as produções artísticas devem ser incluídas na política pública do município. "Temos que pensar na criação de uma comissão para construir uma política pública em Juiz de Fora", opina.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken