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    A volta do vinil: qualidade, saudosismo e paixão pela música

    Pesquisas apontam o aumento das vendas dos LPs e a tendência é que este mercado só cresça

    Laura Lewer
    *Colaboração
    8/11/2013
    Bruno Tuler Perrone

    Bruno Tuler Perrone (foto ao lado) comprou seus primeiros discos de vinil com o dinheiro de sua mesada, quando tinha 11 anos. Eram o Please Please Me (1963) e A Hard Day's Night (1964), primeiro e terceiro discos dos Beatles, banda que Bruno conheceu em um intervalo de aula em sua escola. Foram os garotos ingleses que fizeram o mineiro se apaixonar pela música e, 22 anos depois, contar com uma coleção de cerca de 2.300 discos de vinil. O professor de História é apenas um exemplo de milhões de apaixonados por um mercado que, em plena era digital, cresce a cada ano.

    Aumento de vendas

    Uma pesquisa da Nielsen, empresa que coleta informações sobre o mercado, revelou que a venda de vinis ou LPs (long play) correspondente às datas de dezembro de 2012 a junho de 2013, aumentou 33,5% nos Estados Unidos. De acordo com os dados, somente nesse período foram vendidas 2,9 milhões de unidades, enquanto a venda de CDs caiu 14,2%. "O vinil consegue atingir frequências que outras mídias e formatos de registros não conseguem, e isso aumenta o interesse sobre ele. Além disso, penso nas pessoas que, como eu, cresceram lidando com algo mais palpável. É quase um ritual olhar a arte da capa, ver as letras. O CD alimentou isso, mas não da mesma forma", opina Perrone.

    Saudosismo

    Mas e quanto aos jovens? Por que comprar LPs? Para Vlamir Perdigão, que trabalha há 20 anos no Museu do Disco, loja que tem cerca de 70 mil discos em estoque, "o vinil é romântico. Manusear, ler a história da banda e ouvir aquele estalo no fundo da música é tudo o que as pessoas procuram", afirma. "Saudosismo" é outra palavra usada pra descrever o aumento de vendas desse tipo de mídia. "Hoje em dia, a busca é pelas relíquias. As pessoas procuram por músicas raras que não saíram em CD e por qualidade, e o vinil oferece tudo isso para elas", conta Perdigão.

    E se as pessoas estão saudosistas, o mercado alimenta essa sensação. Na Livraria Leitura de Juiz de Fora, por exemplo, a venda das eletrolas é crescente. "Muitas pessoas do interior de Minas Gerais e do Estado do Rio de Janeiro vêm procurar por elas", afirma o vendedor Paulo Sérgio. Mas de retrô, só o visual dos toca discos, que relembra modelos das décadas de 1950 e 1960. Modernos, os aparelhos são equipados para tocar vinis, fitas cassete, CDs, rádio AM e FM e ainda têm entradas para cartões de memória e pen drives. Os preços variam de R$1.619 a R$ 1.819.

    Eletrola Eletrolas

    Qualidade

    De acordo com Tuta Discotecário, membro do Vinil é Arte, coletivo formado por seis DJs e pesquisadores musicais dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, a qualidade da gravação analógica é o grande diferencial do vinil. "A palavra analógica quer dizer que é mais próximo do real. O vinil tem um peso sonoro que as outras mídias não têm. Todos os CDs que eu tinha acabaram estragando com o tempo, mas meus vinis não", conta.

    Colecionadores

    Tanto Bruno, quanto Vlamir e Tuta estão diretamente ligados ao hábito de colecionar vinis. Com as lojas de disco online, o processo fica mais fácil e o contato com outros colecionadores aumenta. "Além das lojas de Juiz de Fora, também compro pela internet. Tenho um contato bacana com pessoas que fazem coleção e a maioria deles trabalha com discotecagem. Trocamos discos e muita informação", conta Perrone, cujos LPs preferidos da coleção são, claro, os dos Beatles que comprou quando criança, e clássicos de Jimi Hendrix, Bob Dylan e rock brasileiro dos anos 70.

    No caso de Tuta, que tem uma coleção de 4 mil unidades, colecionar é um vício. "Brinco com meus amigos que é um álbum de figurinhas que não vou completar nunca. Compro até 30 discos por semana e recentemente recebi uma doação de mais de 800 vinis de um amigo. O Vinil é Arte tem, ao todo, mais de 30 mil discos."

    Segundo Perdigão, pessoas de todas as idades vão ao Museu do Disco. "Os jovens procuram por muito rock e jazz. As maiores relíquias da loja são os álbuns do Pink Floyd, Tim Maia e rock progressivo. Temos valores que variam de R$ 50 a R$ 100 e promoções de sete discos por R$ 10 ou R$ 1, a unidade", comenta. 

    Paixão pela música, saudosismo, qualidade, moda, romantismo, não importa. Fato é que os vinis voltaram de vez e conquistaram novamente as pessoas. Mas quem disse que esse encanto se perdeu um dia? 

    *Laura Lewer é estudante do 6º período de Jornalismo do CES/JF

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