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    Dom Gil Antônio Moreira comemora 37 anos dedicados à fé

    Arcebispo conta sobre os momentos marcantes, opiniões e desejos

    Laura Lewer
    *Colaboração
    20/12/2013

    Trinta e sete anos "é uma vida", como dizem por aí. Nesse tempo, uma pessoa é capaz de ter várias experiências, acumular conhecimentos, ter filhos, viajar, estudar. No caso de Dom Gil Antônio Moreira, arcebispo metropolitano nascido em Itapecerica (MG) em 1950, os 37 anos completados na última quarta-feira, 18 de dezembro, também indicam uma vida: a de padre.

    Dom Gil diz não saber dizer quando nasceu a vontade de seguir a vida religiosa, mas afirma que ela esteve presente desde criança. Só na parte materna – e muito católica - de sua família, foram 30 padres ao longo de 100 anos. Para ele, a dedicação à igreja foi fundamental e o influenciou. "Um ambiente religioso ajuda as crianças a discernir seu futuro vocacional", afirma. Futuro vocacional, que, no caso dele, o levou a ficar 14 anos no Seminário Menor São José, em Divinópolis (MG), onde entrou aos 11 anos de idade.

    Ainda no seminário, Dom Gil passou por um momento de provação: dos 80 seminaristas, 79 deixaram o local. "Naquele momento fui desafiado a dizer sim ou não, era seguir em frente ou abandonar. Mas eu sempre disse sim a mim mesmo e a Deus", conta. Conciliou a religião com o trabalho em um escritório de contabilidade e a graduação em Letras e Filosofia. Em seguida, mudou-se para Belo Horizonte (MG), onde se formou em Teologia pela PUC-MG.

    Questionado sobre o que Deus representa em sua vida, o arcebispo afirma que não seria nada sem ele. "Deus é tudo, não há definição para ele. É algo existencial. Sem Deus você não vive, porque a vida não teria sentido. Não compreendo uma pessoa que não tem Deus", afirma. A fé, para Dom Gil, também é fundamental. "Ter fé significa aderir Jesus Cristo, acolher sua palavra e divulgá-la. Fé é acreditar naquilo que nós não vemos e não conseguimos tocar. O materialista acredita só na matéria. Ele é um infeliz, porque a vida humana não é só matéria."

    Experiências

    Ao longo dos 37 anos, o arcebispo acumulou muita história para contar. Em sua missão na Amazônia, por exemplo, celebrou uma missa, no meio de uma tempestade, na casa de uma mulher que não via um padre há 30 anos. Em outra ocasião, um homem pobre lhe pediu para realizar uma missa para seu filho, que havia morrido um mês antes, pois não teve dinheiro para ir à cidade procurar um padre. Dom Gil também destaca seus estudos em Roma, onde tornou-se  mestre em História da Igreja pela Universidade Gregoriana. "Os três anos que estudei lá foram marcantes, sem contar o contato com o papa João Paulo II." Posteriormente, também conheceu o papa Bento XIV. "Para mim são dois grandes santos que a Igreja Católica tem", opina.

    Juventude

    Pensando em atrair a juventude para a religião, Dom Gil fundou a comunidade Jovens Missionários Continentais, que une 65 jovens que assinaram um termo para ficar um ano servindo a Deus, sem abandonar seus estudos e trabalho. Para o arcebispo, isso mostra que o jovem é capaz de se comprometer. “Temos jovens católicos muito entusiasmados e dedicados à igreja, e isso me deixa feliz. O jovem de hoje gosta de testemunhos sérios, coisas desafiadoras no sentido da fé. A igreja deve investir nos jovens sem medo e com coisas sérias. Também deve falar a linguagem deles", afirma.

    Sobre o uso dos meios de comunicação para atrair mais fiéis, Dom Gil é a favor. "O mundo de hoje é muito plural e os meios de comunicação divulgam muito. Há uma mobilidade religiosa realmente grande. Toda igreja tem que usar a comunicação, não pode ficar para trás na tecnologia. Para oferecer a palavra de Deus aos outros, precisa estar sempre atualizada. Vejo um retorno positivo por meio das redes de TV católicas."

    Questões polêmicas

    A opinião da Igreja Católica sobre o uso da camisinha, aborto e a homossexualidade, entre outros assuntos, têm sido fortemente debatida pela população mundial. Em um momento com a divulgação intensa de métodos contraceptivos, debate sobre os direitos de escolha das mulheres e a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo pelo mundo, a Igreja mantém seus pensamentos. Dom Gil diz que o aborto é inaceitável. "É um dos maiores crimes da sociedade. Na minha opinião, o mundo ficou louco, não há nenhuma situação que possa justificar o aborto, nem mesmo um estupro, nem mesmo uma doença", afirma.

    Sobre o uso da camisinha, a opinião também é categórica. "Dizem que o uso da camisinha é para evitar a transmissão do HIV. É preciso que se invista nas maneiras legais e não na maneira mais fácil. Por enquanto, existe a ausência da união sexual entre pessoas doentes." Dom Gil também é contra a união homossexual, mas diz que todo ser humano merece respeito. "Eu pessoalmente não vejo o casamento homossexual como solução para nada. Acho que é uma coisa que não preenche as pessoas e não resolve as situações. A igreja ensina a respeitar as pessoas, mas ao mesmo tempo tem o direito de refletir sobre a realidade familiar", afirma. 

    Gratidão

    "Em 37 anos, só posso agradecer a Deus pelas maravilhas que ele vem fazendo em minha vida de sacerdócio. Nunca me arrependi de ter sido padre, pelo contrário, agradeço todos os dias. Me sinto imensamente feliz. Se eu tivesse que começar tudo outra vez, começaria pelo mesmo caminho. Claro que no percurso temos dificuldades, trabalhos a superar, mas é a menor parte. A maior é de alegria." Para o Natal dos juiz-foranos, o arcebispo quer o melhor. "Que o Natal seja de fato uma grande oportunidade de crescimento da fraternidade e diálogo fraterno entre todas as pessoas. Para cada juiz-forano que tiver um problema a ser resolvido, que ele confie em Deus, porque basta ter fé e comunhão com Deus. Que Deus dê a todos um 2014 repleto de bençãos para superar os problemas e viver na plena alegria", deseja Dom Gil. 

    *Laura Lewer é estudante do 6º período de Jornalismo do CES/JF

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