Documentário conta história de JF narrada pela TV Cidades Possíveis será exibido na próxima quinta-feira, 10 de dezembro, e reúne depoimentos de radialistas e jornalistas que trabalharam em emissoras locais

Melissa Ribeiro
Repórter
8/12/2009
Na próxima quinta-feira, 10 de dezembro, às 20h, será lançado no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) o documentário Cidades Possíveis, que traz depoimentos de várias gerações de jornalistas e de radialistas que trabalharam nas emissoras de televisão de Juiz de Fora.

O documentário tem roteiro e direção dos professores da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Christina Musse e Cristiano Rodrigues, e é lançado às vésperas das comemorações dos 60 anos da TV brasileira, celebrado em 2010.

Segundo Christina Musse, o documentário busca retratar a forma com que os programas de TV, principalmente de telejornalismo, mostram a cidade de Juiz de Fora, desde a década de 60. "O objetivo é apresentar um relato sobre como a mídia televisiva representa o espaço urbano, colocando certas áreas em evidência, desqualificando outras, associando algumas à ordem e outras à desordem, ao caos e à violência. O documentário traça um panorama interessante sobre como a televisão representou a cidade de Juiz de Fora para as pessoas."

O filme reúne quase 40 personagens que ajudaram a construir a história de Juiz de Fora, através da TV, como Wilson Cid, Geraldo Magela Tavares, Marilda Ladeira, Andréa Andrade, Aníbal Pinto, Mauro Pianta, Sérgio Rodrigues, Michele Pacheco, entre outros. "Nos depoimentos, as pessoas falam das suas rotinas de trabalho, das suas lembranças, de coisas engraçadas ou tristes, trabalhando relatos da memória sobre o que elas fizeram como radialistas e jornalistas e sobre que 'cidades' elas mostraram e que 'cidades' deixaram de mostrar."

Segundo Christina, o documentário também busca refletir a tarefa do jornalista como um grande narrador contemporâneo, que apresenta o mundo para a maior parte das pessoas, principalmente no Brasil, onde a TV tem uma centralidade muito grande. "Discutimos sobre a ética da profissão do jornalista, que deve procurar transcrever o real da maneira mais objetiva e mais correta possível. Ao mesmo tempo, o dever de refletir como essas imagens são recortes muitos específicos, que não nos mostram a totalidade dessa cidade, todos os personagens, mas deixam muitas 'cidades' de fora, que seriam aquelas 'cidades possíveis'."

 

Imagem do filme Imagem do filme
Christina Musse ressalta que Juiz de Fora possui grande importância na história da TV brasileira, sendo uma das pioneiras na produção de audiovisual, da mesma forma com que foi protagonista no desenvolvimento industrial. "Juiz de Fora teve experiências esporádicas de transmissões de sinais televisivos antes mesmo da inauguração oficial da televisão no Brasil. Aqui foi feita a primeira transmissão de TV aberta na América Latina, em 1948."

 

Documentário será disponibilizado para pesquisa

Ao todo, foram produzidos 200 DVDs do documentário. Eles serão distribuídos para escolas, faculdades, museus e bibliotecas da cidade e do país. O lançamento de Cidades Possíveis também comemora os 50 anos do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFJF.

De acordo com Christina, as 60 horas de gravação do material bruto dos depoimentos estão sendo digitalizadas. O material está em processo de transcrição para que, em breve, seja disponibilizado na íntegra, em forma de livro.

O documentário Cidades Possíveis recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), por meio da aprovação do projeto Televisão e imaginário urbano: as narrativas da cidade no espaço dos telejornais. Os trabalhos de pesquisa, produção, gravação e finalização do material bruto foram realizados durante dois anos e renderam a elaboração de artigos apresentados em congressos regionais e nacionais sobre comunicação.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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