Fim da escala 6x1 amplia debate sobre saúde mental e qualidade de vida dos trabalhadores

Somente em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por questões relacionadas à saúde mental.

Por Redação

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Na última segunda-feira (25), a comissão especial da Câmara dos Deputados avançou na discussão sobre o fim da escala 6x1 com a apresentação do parecer do relator responsável pela PEC 221/19, Leo Prates (Republicanos-PB). O projeto prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial, em até 14 meses após a promulgação da proposta.

Embora a discussão envolva impactos econômicos e trabalhistas, o debate também atravessa uma questão de saúde pública, especialmente diante do aumento do número de licenças por transtornos mentais no país. Somente em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por questões relacionadas à saúde mental.

Para Helington Costa, professor do curso de Psicologia da Estácio, jornadas extensas de trabalho, associadas ao pouco descanso e à pressão constante por desempenho, podem favorecer processos de adoecimento emocional e comprometer a qualidade de vida dos trabalhadores. “Do ponto de vista psicológico, o ser humano necessita de períodos regulares de recuperação física e emocional. Quando o tempo de descanso é insuficiente, há maior risco de desenvolvimento de quadros de ansiedade, estresse crônico, irritabilidade, esgotamento emocional e sintomas depressivos”, explica.


Segundo o especialista, alguns sinais podem indicar que a rotina profissional ultrapassou limites saudáveis. Entre eles estão cansaço persistente, alterações de humor, irritabilidade frequente, dificuldade de concentração, sensação constante de sobrecarga, crises de ansiedade, insônia e isolamento social. Além disso, o corpo tende a responder ao sofrimento psíquico com dores musculares, cefaleias, alterações gastrointestinais e queda da imunidade.


A sobrecarga de trabalho também pode interferir diretamente na convivência familiar, nas relações sociais e na capacidade de recuperação mental dos trabalhadores. De acordo com Helington, a ausência de tempo para lazer impacta diretamente o equilíbrio emocional. “O lazer não é um luxo, mas uma necessidade humana ligada à recuperação psíquica. Relações afetivas saudáveis ajudam na regulação emocional, reduzem o estresse e fortalecem o sentimento de pertencimento. Quando o trabalho ocupa quase todo o tempo disponível, há empobrecimento das experiências pessoais e aumento da sensação de exaustão e solidão”, destaca o psicólogo.


Outro reflexo pode aparecer na qualidade do sono, que pode afetar diretamente produtividade, concentração e relações interpessoais. “Embora exista a ideia de que trabalhar mais gera mais rendimento, o excesso contínuo tende a produzir o efeito oposto. O cérebro sob estresse prolongado perde capacidade de atenção, tomada de decisão e criatividade”, comenta o especialista. “Quando se discute equilíbrio entre trabalho, descanso e vida pessoal, está se debatendo também prevenção de adoecimento psíquico. Ambientes laborais mais equilibrados tendem a reduzir afastamentos, melhorar a satisfação profissional e favorecer uma produtividade mais sustentável a longo prazo”, conclui Helington.