Elizabeth Soares 23/4/2010
Como preparar nossos jovens para o mercado de trabalho: desafios de uma boa educação
Recentemente, fui convidada por um colégio para conversar com pais de alunos do ensino médio sobre os desafios da educação que prepara os jovens para o futuro profissional. Qual é o perfil exigido pelo mercado de trabalho atual? Com base nessas exigências, qual seria o processo de educação mais adequado?
No curto prazo, a primeira missão do colégio é preparar nossos filhos para conseguir uma vaga nas tão concorridas universidades federais. Entretanto, de forma mais ampla, o colégio deve ser o laboratório que incentiva nossos jovens a experimentarem características que são desejadas e exigidas no mercado de trabalho atual e futuro. De que adianta um jovem fazer o curso superior de forma muito focada em notas e resultados individuais se ele precisará entrar e se manter no mercado de trabalho onde muitas características diferentes serão fundamentais?
Uma pesquisa feita com 63 presidentes e consultores de grandes empresas foi divulgada em dezembro de 2009 pela revista de carreira Você S/A e indicou diversas tendências a respeito das empresas e posturas profissionais. Dentre elas, destaco:
A era dos nativos digitais: Os jovens da chamada geração Y (nascidos após 1980) simbolizam a velocidade digital necessária para a busca de soluções dos negócios modernos. Estamos incentivando em nossos jovens está visão em relação à tecnologia?
Foco no aprendizado: Grandes líderes se queixam que os jovens precisam ter humildade para adquirir experiência e isto demanda tempo, habilidade para ouvir, cometer erros e disposição para corrigi-los. Uma geração muito acelerada para usar a tecnologia não percebe que implantar mudanças numa equipe, por exemplo, não é algo que ocorre na mesma velocidade da transmissão de dados. Jovens no comando tendem a gerar conflitos de relacionamento. Nossos jovens estão sendo incentivados no processo educativo a trabalhar em equipe?
Autoconhecimento é fundamental: Vivemos numa sociedade muito focada no TER ao invés do SER. O resultado disso? Ao participar de uma entrevista de emprego, o entrevistador não perguntará “o que você tem?”, pelo contrário, ele fará perguntas do tipo “que pontos fortes você possui que podem colaborar com a nossa empresa?” ou “que fraquezas você possui que precisará trabalhar para se dar bem no relacionamento com os clientes?”. Nossos jovens estão recebendo estímulos para questionarem de forma crítica a super valorização do consumismo?
Pense verde: As empresas querem profissionais que busquem soluções cada vez mais ecologicamente corretas. As decisões de hoje impactam cada vez mais no meio ambiente e podem gerar multas ambientais muito elevadas, sem contar na imagem de responsabilidade social da empresa transmitida pela mídia. Estamos verificando no processo educacional ações que gerem esta consciência nos alunos?
Muito mais do que CONHECIMENTO, os colégios precisam criar oportunidades para que seus alunos desenvolvam ATITUDES. O mercado de trabalho quer pessoas com postura adequada ao cargo a que se candidatam. Esta é a grande queixa: as pessoas têm currículo com bagagem de formação teórica, mas falta postura, atitude e proatividade. Nossos jovens talvez não estejam sendo estimulados a fazer a correlação “vida cotidiana no colégio” x “vida futura no mercado de trabalho”. Fica o desafio para colégios, educadores e pais. Esta é uma ação conjunta. Toda mudança implantada impactará positivamente no mercado de trabalho e as empresas agradecem.
Elizabeth Soares
Psicóloga e Coach-executiva