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    Padre, uma vocação que chama no coração das pessoas Tornar-se um presbítero é escolher um estilo de vida,
    com renúncias e com glórias

    Renata Solano
    *Colaboração
    28/03/2008

    Decidir ser padre é escolher uma forma de vida, uma vida feita em cima de condições de estilo de vida diferentes de um civil comum. É tomar a decisão pelo bem do próximo, é abdicar de algumas experiências, mas é viver em função do bem e de Deus.

    Na liturgia e no direito canônico quando se fala sacerdote, refere-se tanto ao padre quanto ao bispo, no entanto, usualmente não usa o termo para referir-se à profissão e à vocação de padre, mas sim presbítero na Igreja Católica.

    Para se tornar um padre, é preciso, segundo o teólogo e padre João Justino de Medeiros, vocação. "Naturalmente fazemos uma distinção entre vocação e aptidão. Há pessoas que têm aptidão para fazer o trabalho de um padre, mas a vocação é mais interna e é um dom de Deus e cabe à Igreja discernir se a pessoa tem vocação ou não", comenta.

    O interessado em ingressar na vida religiosa de forma mais efetiva, precisa passar por uma seleção da Igreja. "Isso vai de acordo com cada seminário, com cada diocese, mas há critérios básicos para toda a Igreja, que são preparação espiritual, pastoral, intelectual, comunitária e humano-afetiva", descreve Justino.

    Em cada uma dessas dimensões são feitas avaliações dos candidatos, de suas ações e de suas posturas durante as atividades realizadas. Além disso, é preciso que o interessado tenho segundo grau completo para ingressar em um seminário. O tempo até se tornar um diácono e, posteriormente, um padre, é de cerca de oito anos. "Esse tempo é destinado para a formação do seminarista. Ele precisa fazer as faculdades de filosofia e de teologia para depois ser ordenado. Antes disso, a qualquer tempo ele pode pedir desligamento do seminário e o contrário também pode acontecer", afirma.

    Justino comenta que o diácono tem o papel fundamental de prestar serviço à comunidade, ele já pode realizar batizados, matrimônios, mas a eucaristia e a missa somente depois de ser ordenado padre. "A diferença de tempo para a ordenação do diaconato e do presbiterianato varia, pode ser de poucos meses, mas na média é de seis meses até um ano", acredita.

    A profissão de padre ou diácono é considerada, pela âmbito civil como uma profissão liberal e, segundo Justino, eles fazem a contribuição com a previdência social como outro profissional. "Para exercer a função, cada igreja paga uma Côngrua Paroquial para o presbítero", comenta Justino.

    Não é a regra, mas há a possibilidade de paralelamente ao seminário, a pessoa pode fazer um curso, uma faculdade e separar seu tempo para exercer suas diferentes profissões, seja ela de professor, de dentista ou de músico, por exemplo. "Mas o seminarista dedica a totalidade do seu tempo para os estudos para a formação vocacional. Eles dormem no seminário e passam todo o tempo fazendo atividades relacionadas ao patamares básicos de um padre que citei anteriormente", afirma.

    Tomar a decisão

    foto de Gleydson Escolher a profissão de padre não é muito difícil, pois segundo o padre Justino, ordenado há cerca de 16 anos, trata-se, antes de tudo, de uma vocação. "É um chamado muito forte dentro de nossos corações que vão sendo interpretados ao longo de nossas vidas, de nossas infâncias, de nossos interesses e de nossas ações", descreve.

    Para o recém seminarista Gleydson Pimenta de Faria (foto ao lado) a vocação existe muito forte em seu coração desde quando era mais novo. "Minha família é muito religiosa, especialmente minha mãe. Antes de concluir meu ensino médio já sabia que o meu interesse era entrar para o seminário e seguir o meu coração e o chamado de Deus para essa vocação, mas antes disso ingressei na faculdade de Ciências Sociais, agora formado, tomei a decisão de entrar para o seminário", recorda.

    Onde fazer seminário
    Foto do seminário Santo Antônio Foto do seminário Santo Antônio Foto do seminário Santo Antônio

    A base intelectual para um padre são os cursos de filosofia e de teologia. "A filosofia tem o papel de fazer com que o candidato compreenda o mundo e as pessoas nas suas mais diferentes formas, é o espaço de aprofundamento do entender o que é o ser humano e qual o seu sentido no mundo, na religião e no conhecimento. A teologia é um curso que vai buscar aprofundar sobre o mistério do cristianismo; o que ele representa, qual o papel da igreja, quais as obrigações do cristão, etc", define o padre Justino.

    Segundo o padre, existem mais dois seminários na cidade, além do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio. "Há outros, mas o nosso é o da arquidiocese de Juiz de Fora e é o único que oferece os cursos de graduação. Os demais seminaristas fazem filosofia e teologia aqui no seminário ou, então, na Universidade [Federal de Juiz de Fora]", comenta.

    Segundo o seminarista, a diocese é um grupo de paróquias que compõem a arquidiocese de Juiz de Fora, que compreende não só o município, mas alguns vizinhos também. "Aqui em Juiz de Fora, o Seminário que pertence à arquidiocese da cidade é o Santo Antônio, mas existem, se não me engano têm mais dois outros seiminários diocesanos, mas que não são de Juiz de Fora, são de Leopoldina e de São João Del Rei", afirma.

    "A formação tem custos, por isso, combinamos com cada candidato como ele pode contribuir. Os gastos pessoais devem ser totalmente assumidos pelo interessado, mas geralmente a diocese custeia os estudo e, além disso, temos uma associação e os seminaristas têm a função de conquistar associados para ajudar nos demais gastos com sua formação e de seus colegas", descreve Justino.

    *Renata Solano é estudante de Comunicação Social da UFJF

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