Globalização faz do tradutor um profissional presente no dia a dia da sociedadeGosto pela profissão e por pesquisas são características essenciais para o perfil de um tradutor. Conhecer a língua portuguesa é fundamental

Victor Machado
*Colaboração
31/3/2011
Profissão de tradutor é considerada desafiadora

A globalização tem feito com que a figura do tradutor, ou intérprete, torne-se presente no dia a dia da sociedade. O profissional é requisitado pelo mundo dos negócios, pela indústria cinematográfica, pelos setores de relações internacionais, entre outras áreas.

A tradutora Tatiane Abrantes explica que o mercado de trabalho tem exigido profissionais da área, por causa da globalização. "As empresas, pessoas físicas e governos buscam o serviço, pois as relações se estreitaram. Hoje em dia, já existem empresas que buscam tradutores especializados em áreas jurídicas e médicas, por exemplo", afirma.

Segundo Tatiane, além das necessidades do dia a dia, os acontecimentos globais influenciam na procura por profissionais da área. "Um exemplo foi o terremoto no Japão, que impulsionou a busca por teleconferências com o país." Mesmo diante da necessidade, a intérprete afirma que a profissão ainda sofre com o desconhecimento. "As pessoas esquecem-se de que estamos presentes no dia a dia de todos, por meio da tradução de um filme, no momento de negociações internacionais, nos livros."

A variedade dos campos de atuação deixa o trabalho, na opinião de Tatiane, mais desafiador. Segundo a tradutora, os desafios aparecem, porque o profissional não traduz apenas as palavras, mas tudo que envolve a cultura, as ideias, as metáforas, as gírias, para poder inserir o que está sendo traduzido em um contexto. "Em uma tradução, precisamos saber o contexto, para representar fielmente a intenção das palavras. É preciso conhecer a cultura, as formas de expressão da língua e estudar bastante, antes de qualquer trabalho."

Por essa razão, Tatiane acredita que é preciso ser um pesquisador nato para ter o perfil de tradutor. Além disso, é necessário gostar muito da profissão. "Por trabalharmos com assuntos diferenciados, temos que pesquisar tudo previamente. Hoje, posso traduzir algo sobre medicina, amanhã, algo jurídico. As terminologias mudam bastante. É preciso estar ciente dessa dificuldade."

Além disso, ela destaca que é preciso ter conhecimento profundo da língua estrangeira escolhida e, principalmente, do português. A falta de preparo na língua nativa é um dos problemas encontrados no mercado. "Muitos tradutores preocupam-se tanto com a língua estrangeira que se esquecem do português e acabam surgindo erros na tradução, por falta de conhecimento da própria língua." O profissional que fala inglês ainda é o mais procurado devido, à falta de conhecimento dos contratantes. "Em negociações com a China, muitas pessoas procuram tradutores de inglês, porque não sabem onde encontrar o profissional que fala mandarim".

A formação

A formação para se tornar um tradutor é variada. Tatiane explica que o conhecimento pode ser adquirido por meio da vivência com outras línguas e países ou com formação acadêmica. Em Juiz de Fora existe o bacharelado em Letras na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que forma tradutores. Segundo Tatiane, o salário inicial para contratados por empresas privadas é em torno de R$ 1.200. No entanto, o salário dos trabalhadores freelancers pode ser muito maior, porque a remuneração varia com a quantidade de serviços realizados e o grau de dificuldade da tradução.

O dia a dia da profissão é considerado imprevisível e dinâmico, por se tratar de trabalhos diferentes. "A cada dia, o profissional se depara com um assunto diferente, de áreas distintas. A garantia para se manter no mercado é ler muito."

*Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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