Marcelina: uma mulher feita de luta

Alice Couto Alice Couto 10/09/2018

Olá, internautas. Tudo bem?

Hoje trouxe para a coluna uma história que mexeu de mil formas com o meu coração: uma mulher que prova tudo aquilo que eu acredito. É sobre empoderamento, sobre ser mulher, sobre o esporte. É sobre a Marcelina.
Semana passada, conhecemos a Marcelina. Mulher. Guerreira. Campeã. Paratleta. Com uma história de vida dessas de cair o queixo. Depois de escutá-la falar, não pensamos em mais nada, só na admiração que sentimos.

Marcelina tem 37 anos e, há quatro meses, luta Jiu-Jitsu. Seu interesse pelo esporte é desde a infância, mas a decisão veio de uma pesquisa que fez com sua companheira a respeito de uma atividade adaptada. Após um longo período de depressão, percebeu que a prática de esportes poderia ajudá-la a se reerguer após a perda de sua mãe.

Ela conta que inicialmente, encontrou a esgrima de cadeira de rodas, mas seu treinador frustrou suas expectativas, dizendo que a motivação de um atleta teria que partir de uma família e de uma condição financeira estável. Vindo do luto da perda e sem emprego, Marcelina quase deixou a ideia de lado, mas não concordava com as palavras duras que ouviu. Por isso, foi atrás do Jiu-Jitsu.

Depois de algumas conversas, recebeu um convite para conhecer a academia em que treina hoje. Numa sexta-feira à noite, subiu as escadas de uma academia vazia naquele horário, com todo espaço do mundo para ela. Ai a história fica mais linda.

“Existe uma Marcelina antes e uma Marcelina depois da catraca.” Ela contou. Quando entrou no tatame, o mesmo em que fizemos a entrevista, ela caiu no choro. Chorou porque teve a certeza absoluta de que pertencia àquele lugar. A paralisia cerebral sempre a impedira de lutar e de fazer tantas coisas que queria fazer. Mas ali, naquele momento, ela realizava um sonho de infância: praticar um esporte, lutar.
Hoje, passaram-se quatro meses desde que suas lágrimas confirmaram sua história no Jiu-Jitsu. Ela já disputou seu primeiro campeonato nacional, venceu e trouxe para casa o seu cinturão. Contou que agora o foco é no Campeonato Latino Americano e no convite que recebeu para participar do Grand Slam, na Barra da Tijuca.

Em 20 minutos de conversa, Marcelina não só contou sua história. Deixou com a gente um milhão de ensinamentos sobre a vida. Foi nossa fonte de inspiração para sair dali e escrever, viver e ver a vida com olhos diferentes. Naquele dia, eu saí da academia com os olhos marejados, impressionada.

Marcelina, foi uma honra trazer você para a coluna do Chuteiras essa semana. Deixamos aqui toda a nossa gratidão. Vai ser um prazer acompanhar sua trajetória linda daqui para a frente. Obrigada mil vezes.

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