Coluna de Ricardo Corrça
Torcendo, somos iguais
Porque comemorar, extravasar, festejar ? sempre bom, independente do momento. ? claro que temos problemas. ? ?bvio que o pa?s n?o vive em um mar de rosas. E ningu?m quer usar o futebol para tapar o sol com a peneira e esquecer que vivemos um dos piores momentos de nossa hist?ria.
Politicamente o Brasil est? fragilizado. As institui?es est?o corro?das. Um ter?o da C?mara Federal ? acusada de participar de um esquema de corrup??o que usava ambul?ncias, bem t?o precioso, como forma de ganhar dinheiro f?cil. Outros tantos est?o a?, acusados de participa??o em esc?ndalos, fazendo de bobo o brasileiro honesto, que sua para ganhar s? uma pequena parte do que merece. Mas isso inviabiliza a paix?o pelo futebol? Em que sentido? Torcer pelo Brasil vai ajudar a contribuir para que a situa??o perdure? Acho que n?o. N?o tem nada a ver uma coisa com a outra.
O brasileiro ? sofrido, vota mal, mas n?o ? bobo ao ponto que imaginam os que pregam o fim da paix?o pelo futebol como solu??o. Na minha opini?o ningu?m vai esquecer da situa??o por causa da Copa do Mundo. Se o Brasil ganhar ou perder, o brasileiro n?o vai fechar os olhos para esses problemas. Vai continuar parado, sem saber como reagir, como acontece h? s?culos.
E teremos uma alegria democraticamente igual. N?o importa se ? o presidente, o cara mais rico do Brasil. Se ele est? l? na Alemanha assistindo aos jogos, ou ouvindo em um radinho de pilha, durante o trabalho. N?o importa se ele est? na rua, com fome, ou nos restaurantes chiques assistindo em televis?o de plasma. No final, a alegria ? igual. Pelo menos durante esse momento, todos somos igualmente privilegiados: nascemos no pa?s em que nasceram os pentacampe?es mundiais. E s? penta, por enquanto...