Quando beijar a camisa não era apenas moda
Quando beijar a camisa n?o era apenas moda
Pouca gente conhece essa hist?ria, mas n?o precisa. Ela ?, no subconsciente, a explica??o para o sucesso que Valdir, o Bigode, fez junto ? grande torcida do Atl?tico em suas quatro passagens pelo clube. A mesma determina??o e humildade que demostrou naquele primeiro dia ele teve dentro das quatro linhas, vestindo a camisa do Galo. Vi, ao vivo, um desses jogos, contra o Sport Recife. Partida dura e empatada at? os 37 minutos do segundo tempo, quando Valdir foi puxado pela camisa dentro da ?rea. P?nalti. Ele mesmo cobrou, e marcou. Na comemora??o, deu uma volta ol?mpica completa pela pista do Mineir?o. O time inteiro atr?s, os torcedores em del?rio. Poucas vezes vi tanto amor e tanta identifica??o torcida-jogador.
Hoje, isso n?o existe mais. Duvido que algum zagueiro contratado pelo Flamengo ou atacante rec?m- chegado ao Botafogo - desses que a imprensa, numa rapidez espantosa, transforma em "craque" - chegue ao clube num fusca e aguarde a abertura dos port?es para o come?o dos trabalhos. Pensar que, nos dias atuais, ? poss?vel que exista outro Valdir, o Bigode, ? passar um atestado de extrema ingenuidade - e isso n?o posso fazer.
Est? certo o Papa Bento XVI: n?o existe o limbo. Faltando treze partidas para o final da S?rie A do campeonato brasileiro, apenas S?o Paulo (campe?o antecipado), Fla-Flu e Santos (garantidos na Libertadores), e Am?rica-RN e Juventude (remoendo seus erros) nada mais aspiram. Os outros 14 clubes est?o entre o c?u poss?vel - a vaga na Libertadores ou na Sul-Americana - e o inferno indesej?vel - a S?rie B. V?o viver este final de novembro esperando dezembro, pisando em ovos, em tens?o permanente, numa corda t?o bamba de emo?es que nem mesmo o equilibrista do Cirque du Soleil daria conta.
Nesta quarta-feira tem Corinthians (do goleiro Felipe, que est? salvando o Tim?o e o campeonato da mesmice) e Vasco (que h? anos s? sabe fazer isso: flertar com o perigo); Atl?tico mineiro e Goi?s/Paulo Baier (feitos um para o outro) e Figueirense e N?utico (do artilheiro Acosta e nada mais).
Domingo tem a rodada final. Saberemos qual espirro virou pneumonia e qual ?ltimo suspiro foi respondido com "sa?de!", "menos mal" ou "vai passar, tudo passa".
Mesmo com o ressurgimento do Tupynamb?s, depois de d?cadas de ostracismo, ainda est? longe, muito longe, de vermos reacesa a chama da rivalidade entre baetas e carij?s. Primeiro, porque o Tupi ? primeira divis?o do campeonato mineiro, terceira divis?o do futebol nacional e qui?? Copa do Brasil. E os rubros s?o apenas, por ora, favoritos na terceira divis?o das Gerais.
Mas, o principal motivo para a falta da rixa ? ainda mais expl?cito: os clubes est?o, na pr?tica, nas quatro linhas - onde as coisas realmente interessam -, "fundidos". Dos onze titulares do Baeta, do time que come?ou o campeonato, nada menos que oito j? vestiram a camisa do Tupi - e recentemente, outros dois (Marlon e J?nior Neg?o) seguiram o mesmo caminho e viraram casaca. E n?o se surpreendam se a maioria voltar a Santa Terezinha para o Mineiro/2008 e, posteriormente, tomar o caminho do Po?o Rico para defender o Tupynamb?s no M?dulo Dois do ano que vem.
Dessa intensa movimenta??o, das duas uma: ou - o que torcemos - todos entrar?o para a hist?ria como jogadores juizforanos, aqueles que elevaram o nome de dois clubes da cidade, ou - o que ningu?m quer - ser?o duplamente amaldi?oados, por trai??o ? camisa de um e outro time e por fracassos em s?rie.
Ailton Alves ? jornalista e cronista esportivo
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