A s?ndrome de não decidir
A síndrome de não decidir
Mas, nada. O empate, arrancado a duras penas, foi o início da derrocada do Palmeiras – sacramentada na troca de socos entre um atacante, que não mais marca gols, e um zagueiro, que não mais os evita.
Os mineiros, depois, poderiam ser aqueles que decidiriam. Atlético, com a força da massa, e Cruzeiro, com uma tabela incrivelmente favorável, caminhavam, pelo menos na análise fria de alguns comentaristas, para disputar o campeonato, ponto a ponto. Mataríamos – nós os torcedores de Minas – o resto do país de inveja.
Mas, nada. O Atlético resolveu começar a perder e o Cruzeiro começou a parar de ganhar, principalmente em jogos disputados em terreno próprio, ali na Pampulha. Estão agora, Galo e Raposa, afundados no amargor, disputando, sim, ponto a ponto, no máximo uma vaga na Libertadores – que ninguém sabe ou garante que chegará.
Chegou, então, a vez do São Paulo, o tricolor que manda no futebol nacional há três temporadas. Time do mito Rogério Ceni, da defesa sólida, do meio-campo que agride e dos atacantes que marcam.
Mas, nada. Mesmo sem as opções de Borges e Dagoberto, os do Morumbi poderiam ter matado o campeonato nesse jogo contra o Botafogo. Não o fizeram.
Assim, veio o Flamengo. Mais importante que a escalação do time, as informações davam conta que estava tudo certo: com 85 mil pessoas no Maracanã massacraria o Goiás e assumiria a liderança, para nunca mais largar.
Mas, nada. Bastou 90 minutos para a constatação de que a liderança não é algo tão concreto assim, muito menos o título, e, junto, foi-se embora, mais uma vez, essa falsa ideia de que os da Gávea formam um “time de chegada” - seja lá o que isso for.
Agora, é de bom tom, nas duas últimas rodadas, que ninguém diga nada, que não prometa fazer e acontecer. Estão todos com a síndrome de não decidir.
Ailton Alves é jornalista e cronista esportivo
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