Lucas Soares Lucas Soares 9/12/2013

As punições devem ir além do campo desportivo

BrigaMe desculpem os amigos que esperavam ver uma rodada comentada sobre o rebaixamento de Fluminense e Vasco para a Série B em 2014. O assunto hoje será outro, não tem como fugir: a patética briga entre torcedores do Atlético-PR e do Vasco, na Arena Joinville, durante a partida derradeira do Brasileirão 2013, na tarde do último domingo, 8 de dezembro.

As fortes cenas, mostradas ao vivo durante a transmissão da partida, deixaram atônitos torcedores, dirigentes, jogadores, familiares e qualquer pessoa que entende ou não de futebol. O choque foi tamanho, que deixou completamente de lado o destino de duas grandes forças do futebol carioca ao final do campeonato.

Não quero entrar no mérito de porque começa uma briga, simplesmente, porque não entra na minha cabeça duas facções entrarem em conflito sem nenhum motivo aparente. Pior ainda, é saber que quem começou a pancadaria foi a torcida do Atlético-PR, clube que vencia o jogo por 1 a 0 e conquistava seu objetivo no jogo, a vaga para a Libertadores. O Furacão, inclusive, jogava em Joinville pois estava punido com perda de mandos de campo pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Foram duas esse ano: após uma confusão iniciada também pela sua torcida contra policiais militares, o clube perdeu dois mandos de campo e na partida contra o Vitória, uma pedra arremessada no gramado resultou em mais um jogo fora dos domínios paranaenses.

Isso mostra dois fatores: a punição de perda de mando, da forma que é hoje, é totalmente ineficiente. Afasta o torcedor comum do campo, não o bandido que vai ao estádio para brigar. Definir que um jogo deve ser mandado a 100 quilômetros da cidade-sede do clube é punição apenas para o torcedor de bem. O outro fator, infelizmente, é a fragilidade da legislação. Com as normas da FIFA, que pode punir um clube que acione a justiça comum, fica impossível que medidas drásticas sejam tomadas enquanto tudo ficar apenas no campo esportivo. São necessárias mudanças imediatas!

Trinta mortes em 2013 só no futebol

O número é alarmante. Trinta pessoas já morreram em decorrência de brigas no futebol este ano. O Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo de 2014, tem esse peso nas costas. Segundo levantamento feito pelo Diário Lance!, são 234 mortes desde abril de 1988. Em julho deste ano, o caso mais chocante, no Maranhão: um jogador foi expulso e agrediu o árbitro, que revidou tirando um facão da cintura e cravou no peito do atleta. A torcida partiu pra cima do árbitro e o deixou amarrado, agredido-o com pedras e depois o esquartejou, deixando sua cabeça pendurada em uma estaca.

O último foi a morte de uma estudante de 14 anos em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, alvejada na cabeça, novamente envolvendo a torcida do Atlético-PR. Após a final da Copa do Brasil, vencida pelo Flamengo, a jovem foi às ruas comemorar e um vizinho, inconformado com a perda do título, atirou na cabeça da estudante. Ao menos, o criminoso está preso.

Em fevereiro deste ano, durante a estreia do Corinthians contra o São José (BOL), na Libertadores, um torcedor brasileiro atirou um rojão em direção a torcida adversária e matou o jovem Kevin Spada, também de 14 anos, que foi pela primeira vez à um estádio. Doze torcedores corintianos ficaram presos na Bolívia por meses, enquanto um menor de 17 anos assumiu a culpa no Brasil e saiu impune. Os torcedores que estavam no país vizinho acabaram inocentados pela justiça local, voltaram ao Brasil e três deles foram vistos nas arquibancadas do Mané Garrincha, em Brasília, brigando com torcedores no Vasco, em partida válida pelo Brasileirão. Antes disso, quando voltaram ao Brasil, foram tratados como heróis pela principal emissora do país, em uma matéria.

A solução

Pensar em algo que coíba a violência nos estádios, sem prejudicar aqueles que valorizam o espetáculo e vão para apoiar o próprio time não é fácil. Em uma multidão, não há como separar os bons dos bandidos. Logo, deve-se pensar em maneiras mais eficientes de identificação e punição de quem pratica algo ilícito, dando um real exemplo do que vai acontecer com quem fizer algo semelhante no futuro.

Primeiro, os envolvidos devem ser julgados como pessoas que cometeram/tentaram homicídio doloso qualificado, apontando que o crime foi cometido com a real intenção de ferir a outra pessoa, por motivo fútil. Infere mais ainda nesta qualificação visto que as agressões, em estádios de futebol, são em sua maioria mostradas ao vivo na televisão.

Aos clubes envolvidos, que não souberam controlar/orientar sua própria torcida, também punições severas. Ao Atlético-PR, já dentro de diversas situações apenas este ano, poderia perder a vaga na Libertadores de 2014, e ser proibido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de disputar competições internacionais. Em casos mais brandos, ao invés da simples perda de mando, jogos com portões fechados e multas pesadas, trazendo prejuízos financeiros.

Não vou apontar e sugerir o fim das torcidas organizadas. Mesmo que as facções sejam no papel proibidas de ir aos jogos, os integrantes vão continuar frequentando. O que deve ser feito com esses torcedores é o exemplo. E exemplo, caros leitores, é o que mais falta nesse país...


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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Lucas Soares Lucas Soares 9/12/2013

As punições devem ir além do campo desportivo

BrigaMe desculpem os amigos que esperavam ver uma rodada comentada sobre o rebaixamento de Fluminense e Vasco para a Série B em 2014. O assunto hoje será outro, não tem como fugir: a patética briga entre torcedores do Atlético-PR e do Vasco, na Arena Joinville, durante a partida derradeira do Brasileirão 2013, na tarde do último domingo, 8 de dezembro.

As fortes cenas, mostradas ao vivo durante a transmissão da partida, deixaram atônitos torcedores, dirigentes, jogadores, familiares e qualquer pessoa que entende ou não de futebol. O choque foi tamanho, que deixou completamente de lado o destino de duas grandes forças do futebol carioca ao final do campeonato.

Não quero entrar no mérito de porque começa uma briga, simplesmente, porque não entra na minha cabeça duas facções entrarem em conflito sem nenhum motivo aparente. Pior ainda, é saber que quem começou a pancadaria foi a torcida do Atlético-PR, clube que vencia o jogo por 1 a 0 e conquistava seu objetivo no jogo, a vaga para a Libertadores. O Furacão, inclusive, jogava em Joinville pois estava punido com perda de mandos de campo pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Foram duas esse ano: após uma confusão iniciada também pela sua torcida contra policiais militares, o clube perdeu dois mandos de campo e na partida contra o Vitória, uma pedra arremessada no gramado resultou em mais um jogo fora dos domínios paranaenses.

Isso mostra dois fatores: a punição de perda de mando, da forma que é hoje, é totalmente ineficiente. Afasta o torcedor comum do campo, não o bandido que vai ao estádio para brigar. Definir que um jogo deve ser mandado a 100 quilômetros da cidade-sede do clube é punição apenas para o torcedor de bem. O outro fator, infelizmente, é a fragilidade da legislação. Com as normas da FIFA, que pode punir um clube que acione a justiça comum, fica impossível que medidas drásticas sejam tomadas enquanto tudo ficar apenas no campo esportivo. São necessárias mudanças imediatas!

Trinta mortes em 2013 só no futebol

O número é alarmante. Trinta pessoas já morreram em decorrência de brigas no futebol este ano. O Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo de 2014, tem esse peso nas costas. Segundo levantamento feito pelo Diário Lance!, são 234 mortes desde abril de 1988. Em julho deste ano, o caso mais chocante, no Maranhão: um jogador foi expulso e agrediu o árbitro, que revidou tirando um facão da cintura e cravou no peito do atleta. A torcida partiu pra cima do árbitro e o deixou amarrado, agredido-o com pedras e depois o esquartejou, deixando sua cabeça pendurada em uma estaca.

O último foi a morte de uma estudante de 14 anos em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, alvejada na cabeça, novamente envolvendo a torcida do Atlético-PR. Após a final da Copa do Brasil, vencida pelo Flamengo, a jovem foi às ruas comemorar e um vizinho, inconformado com a perda do título, atirou na cabeça da estudante. Ao menos, o criminoso está preso.

Em fevereiro deste ano, durante a estreia do Corinthians contra o São José (BOL), na Libertadores, um torcedor brasileiro atirou um rojão em direção a torcida adversária e matou o jovem Kevin Spada, também de 14 anos, que foi pela primeira vez à um estádio. Doze torcedores corintianos ficaram presos na Bolívia por meses, enquanto um menor de 17 anos assumiu a culpa no Brasil e saiu impune. Os torcedores que estavam no país vizinho acabaram inocentados pela justiça local, voltaram ao Brasil e três deles foram vistos nas arquibancadas do Mané Garrincha, em Brasília, brigando com torcedores no Vasco, em partida válida pelo Brasileirão. Antes disso, quando voltaram ao Brasil, foram tratados como heróis pela principal emissora do país, em uma matéria.

A solução

Pensar em algo que coíba a violência nos estádios, sem prejudicar aqueles que valorizam o espetáculo e vão para apoiar o próprio time não é fácil. Em uma multidão, não há como separar os bons dos bandidos. Logo, deve-se pensar em maneiras mais eficientes de identificação e punição de quem pratica algo ilícito, dando um real exemplo do que vai acontecer com quem fizer algo semelhante no futuro.

Primeiro, os envolvidos devem ser julgados como pessoas que cometeram/tentaram homicídio doloso qualificado, apontando que o crime foi cometido com a real intenção de ferir a outra pessoa, por motivo fútil. Infere mais ainda nesta qualificação visto que as agressões, em estádios de futebol, são em sua maioria mostradas ao vivo na televisão.

Aos clubes envolvidos, que não souberam controlar/orientar sua própria torcida, também punições severas. Ao Atlético-PR, já dentro de diversas situações apenas este ano, poderia perder a vaga na Libertadores de 2014, e ser proibido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de disputar competições internacionais. Em casos mais brandos, ao invés da simples perda de mando, jogos com portões fechados e multas pesadas, trazendo prejuízos financeiros.

Não vou apontar e sugerir o fim das torcidas organizadas. Mesmo que as facções sejam no papel proibidas de ir aos jogos, os integrantes vão continuar frequentando. O que deve ser feito com esses torcedores é o exemplo. E exemplo, caros leitores, é o que mais falta nesse país...


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

Lucas Soares Lucas Soares 9/12/2013

As punições devem ir além do campo desportivo

BrigaMe desculpem os amigos que esperavam ver uma rodada comentada sobre o rebaixamento de Fluminense e Vasco para a Série B em 2014. O assunto hoje será outro, não tem como fugir: a patética briga entre torcedores do Atlético-PR e do Vasco, na Arena Joinville, durante a partida derradeira do Brasileirão 2013, na tarde do último domingo, 8 de dezembro.

As fortes cenas, mostradas ao vivo durante a transmissão da partida, deixaram atônitos torcedores, dirigentes, jogadores, familiares e qualquer pessoa que entende ou não de futebol. O choque foi tamanho, que deixou completamente de lado o destino de duas grandes forças do futebol carioca ao final do campeonato.

Não quero entrar no mérito de porque começa uma briga, simplesmente, porque não entra na minha cabeça duas facções entrarem em conflito sem nenhum motivo aparente. Pior ainda, é saber que quem começou a pancadaria foi a torcida do Atlético-PR, clube que vencia o jogo por 1 a 0 e conquistava seu objetivo no jogo, a vaga para a Libertadores. O Furacão, inclusive, jogava em Joinville pois estava punido com perda de mandos de campo pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Foram duas esse ano: após uma confusão iniciada também pela sua torcida contra policiais militares, o clube perdeu dois mandos de campo e na partida contra o Vitória, uma pedra arremessada no gramado resultou em mais um jogo fora dos domínios paranaenses.

Isso mostra dois fatores: a punição de perda de mando, da forma que é hoje, é totalmente ineficiente. Afasta o torcedor comum do campo, não o bandido que vai ao estádio para brigar. Definir que um jogo deve ser mandado a 100 quilômetros da cidade-sede do clube é punição apenas para o torcedor de bem. O outro fator, infelizmente, é a fragilidade da legislação. Com as normas da FIFA, que pode punir um clube que acione a justiça comum, fica impossível que medidas drásticas sejam tomadas enquanto tudo ficar apenas no campo esportivo. São necessárias mudanças imediatas!

Trinta mortes em 2013 só no futebol

O número é alarmante. Trinta pessoas já morreram em decorrência de brigas no futebol este ano. O Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo de 2014, tem esse peso nas costas. Segundo levantamento feito pelo Diário Lance!, são 234 mortes desde abril de 1988. Em julho deste ano, o caso mais chocante, no Maranhão: um jogador foi expulso e agrediu o árbitro, que revidou tirando um facão da cintura e cravou no peito do atleta. A torcida partiu pra cima do árbitro e o deixou amarrado, agredido-o com pedras e depois o esquartejou, deixando sua cabeça pendurada em uma estaca.

O último foi a morte de uma estudante de 14 anos em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, alvejada na cabeça, novamente envolvendo a torcida do Atlético-PR. Após a final da Copa do Brasil, vencida pelo Flamengo, a jovem foi às ruas comemorar e um vizinho, inconformado com a perda do título, atirou na cabeça da estudante. Ao menos, o criminoso está preso.

Em fevereiro deste ano, durante a estreia do Corinthians contra o São José (BOL), na Libertadores, um torcedor brasileiro atirou um rojão em direção a torcida adversária e matou o jovem Kevin Spada, também de 14 anos, que foi pela primeira vez à um estádio. Doze torcedores corintianos ficaram presos na Bolívia por meses, enquanto um menor de 17 anos assumiu a culpa no Brasil e saiu impune. Os torcedores que estavam no país vizinho acabaram inocentados pela justiça local, voltaram ao Brasil e três deles foram vistos nas arquibancadas do Mané Garrincha, em Brasília, brigando com torcedores no Vasco, em partida válida pelo Brasileirão. Antes disso, quando voltaram ao Brasil, foram tratados como heróis pela principal emissora do país, em uma matéria.

A solução

Pensar em algo que coíba a violência nos estádios, sem prejudicar aqueles que valorizam o espetáculo e vão para apoiar o próprio time não é fácil. Em uma multidão, não há como separar os bons dos bandidos. Logo, deve-se pensar em maneiras mais eficientes de identificação e punição de quem pratica algo ilícito, dando um real exemplo do que vai acontecer com quem fizer algo semelhante no futuro.

Primeiro, os envolvidos devem ser julgados como pessoas que cometeram/tentaram homicídio doloso qualificado, apontando que o crime foi cometido com a real intenção de ferir a outra pessoa, por motivo fútil. Infere mais ainda nesta qualificação visto que as agressões, em estádios de futebol, são em sua maioria mostradas ao vivo na televisão.

Aos clubes envolvidos, que não souberam controlar/orientar sua própria torcida, também punições severas. Ao Atlético-PR, já dentro de diversas situações apenas este ano, poderia perder a vaga na Libertadores de 2014, e ser proibido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de disputar competições internacionais. Em casos mais brandos, ao invés da simples perda de mando, jogos com portões fechados e multas pesadas, trazendo prejuízos financeiros.

Não vou apontar e sugerir o fim das torcidas organizadas. Mesmo que as facções sejam no papel proibidas de ir aos jogos, os integrantes vão continuar frequentando. O que deve ser feito com esses torcedores é o exemplo. E exemplo, caros leitores, é o que mais falta nesse país...


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.