Lucas Soares Lucas Soares 16/03/2015

Robinho? De novo?

Há duas semanas, Dunga convocou sua seleção brasileira para os amistosos contra França e Chile, que acontecem nos próximos dias 26 e 29 de março, respectivamente. Entre as "novidades" do treinador, estava a permanência de Robinho, preterido por Felipão na Copa do Mundo e que voltou a fazer parte do grupo da Amarelinha após o Mundial.

Eu não tenho nada contra o Robinho. Acho ele um grande jogador, ao contrário do que tantos torcedores acham do atleta. Incisivo, objetivo, driblador e goleador, Robinho cairia como uma luva em qualquer clube do futebol nacional, assim como faz no Santos. Bem queria ele no Flamengo. Mas tenho minhas dúvidas se a presença do atleta na Seleção ainda é válida.

Robinho atuou nas Copas de 2006 e 2010, tem quase 100 partidas com a camisa da Seleção e é, sem nenhuma dúvida, uma referência para os mais novos quando se pensa em defender o seu país. Mas Robinho tem 31 anos e terá, em 2018, 34. Sua convocação barrou Éverton Ribeiro ou Ricardo Goulart, ambos ex-Cruzeiro, que foram jogar nos Emirados Árabes e China, respectivamente. Ambos atletas mais novos e que poderiam contribuir com a seleção por mais tempo do que o atacante.

É completamente possível que eu cale a minha boca e Robinho arrebente nos próximos jogos pelo Brasil (se entrar em campo, visto que é reserva). Mas meu achismo e experiência futebolística me mostram que em 2018, o atleta não será mais tão útil para o grupo quanto pode ser neste momento.

Se é moda falar da seleção da Alemanha, tomamos como base o grupo montado pelos alemães. Muitos jogadores de rodagem, experientes, mas com idade "na média". Klose foi à Copa com 36 anos para bater o recorde de Ronaldo e conseguiu. Tirando ele, o jogador mais velho que jogava na linha era o capitão Philipp Lahm, com 30, que se aposentou da seleção logo após o Mundial. O grupo ainda contava com o goleiro reserva Weidenfeller (34).

Meu ponto é que o Brasil tem uma safra de atletas que, se trabalhados com paciência, podem chegar à Russia 2018 com alto poder de fogo, como Neymar, Danilo, Oscar, Douglas Costa e Phillipe Coutinho, todos presentes na última lista de Dunga. Quem me acompanha a mais tempo, sabe que sou a favor da montagem da seleção nacional com atletas mais novos e com potencial para o objetivo principal, que é a Copa. Mas como no futebol brasileiro, qualquer deslize já é motivo para trocar tudo, entendo perfeitamente os motivos de Dunga ao escolher "os melhores do momento." É a cultura.


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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Lucas Soares Lucas Soares 16/03/2015

Robinho? De novo?

Há duas semanas, Dunga convocou sua seleção brasileira para os amistosos contra França e Chile, que acontecem nos próximos dias 26 e 29 de março, respectivamente. Entre as "novidades" do treinador, estava a permanência de Robinho, preterido por Felipão na Copa do Mundo e que voltou a fazer parte do grupo da Amarelinha após o Mundial.

Eu não tenho nada contra o Robinho. Acho ele um grande jogador, ao contrário do que tantos torcedores acham do atleta. Incisivo, objetivo, driblador e goleador, Robinho cairia como uma luva em qualquer clube do futebol nacional, assim como faz no Santos. Bem queria ele no Flamengo. Mas tenho minhas dúvidas se a presença do atleta na Seleção ainda é válida.

Robinho atuou nas Copas de 2006 e 2010, tem quase 100 partidas com a camisa da Seleção e é, sem nenhuma dúvida, uma referência para os mais novos quando se pensa em defender o seu país. Mas Robinho tem 31 anos e terá, em 2018, 34. Sua convocação barrou Éverton Ribeiro ou Ricardo Goulart, ambos ex-Cruzeiro, que foram jogar nos Emirados Árabes e China, respectivamente. Ambos atletas mais novos e que poderiam contribuir com a seleção por mais tempo do que o atacante.

É completamente possível que eu cale a minha boca e Robinho arrebente nos próximos jogos pelo Brasil (se entrar em campo, visto que é reserva). Mas meu achismo e experiência futebolística me mostram que em 2018, o atleta não será mais tão útil para o grupo quanto pode ser neste momento.

Se é moda falar da seleção da Alemanha, tomamos como base o grupo montado pelos alemães. Muitos jogadores de rodagem, experientes, mas com idade "na média". Klose foi à Copa com 36 anos para bater o recorde de Ronaldo e conseguiu. Tirando ele, o jogador mais velho que jogava na linha era o capitão Philipp Lahm, com 30, que se aposentou da seleção logo após o Mundial. O grupo ainda contava com o goleiro reserva Weidenfeller (34).

Meu ponto é que o Brasil tem uma safra de atletas que, se trabalhados com paciência, podem chegar à Russia 2018 com alto poder de fogo, como Neymar, Danilo, Oscar, Douglas Costa e Phillipe Coutinho, todos presentes na última lista de Dunga. Quem me acompanha a mais tempo, sabe que sou a favor da montagem da seleção nacional com atletas mais novos e com potencial para o objetivo principal, que é a Copa. Mas como no futebol brasileiro, qualquer deslize já é motivo para trocar tudo, entendo perfeitamente os motivos de Dunga ao escolher "os melhores do momento." É a cultura.


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

Lucas Soares Lucas Soares 16/03/2015

Robinho? De novo?

Há duas semanas, Dunga convocou sua seleção brasileira para os amistosos contra França e Chile, que acontecem nos próximos dias 26 e 29 de março, respectivamente. Entre as "novidades" do treinador, estava a permanência de Robinho, preterido por Felipão na Copa do Mundo e que voltou a fazer parte do grupo da Amarelinha após o Mundial.

Eu não tenho nada contra o Robinho. Acho ele um grande jogador, ao contrário do que tantos torcedores acham do atleta. Incisivo, objetivo, driblador e goleador, Robinho cairia como uma luva em qualquer clube do futebol nacional, assim como faz no Santos. Bem queria ele no Flamengo. Mas tenho minhas dúvidas se a presença do atleta na Seleção ainda é válida.

Robinho atuou nas Copas de 2006 e 2010, tem quase 100 partidas com a camisa da Seleção e é, sem nenhuma dúvida, uma referência para os mais novos quando se pensa em defender o seu país. Mas Robinho tem 31 anos e terá, em 2018, 34. Sua convocação barrou Éverton Ribeiro ou Ricardo Goulart, ambos ex-Cruzeiro, que foram jogar nos Emirados Árabes e China, respectivamente. Ambos atletas mais novos e que poderiam contribuir com a seleção por mais tempo do que o atacante.

É completamente possível que eu cale a minha boca e Robinho arrebente nos próximos jogos pelo Brasil (se entrar em campo, visto que é reserva). Mas meu achismo e experiência futebolística me mostram que em 2018, o atleta não será mais tão útil para o grupo quanto pode ser neste momento.

Se é moda falar da seleção da Alemanha, tomamos como base o grupo montado pelos alemães. Muitos jogadores de rodagem, experientes, mas com idade "na média". Klose foi à Copa com 36 anos para bater o recorde de Ronaldo e conseguiu. Tirando ele, o jogador mais velho que jogava na linha era o capitão Philipp Lahm, com 30, que se aposentou da seleção logo após o Mundial. O grupo ainda contava com o goleiro reserva Weidenfeller (34).

Meu ponto é que o Brasil tem uma safra de atletas que, se trabalhados com paciência, podem chegar à Russia 2018 com alto poder de fogo, como Neymar, Danilo, Oscar, Douglas Costa e Phillipe Coutinho, todos presentes na última lista de Dunga. Quem me acompanha a mais tempo, sabe que sou a favor da montagem da seleção nacional com atletas mais novos e com potencial para o objetivo principal, que é a Copa. Mas como no futebol brasileiro, qualquer deslize já é motivo para trocar tudo, entendo perfeitamente os motivos de Dunga ao escolher "os melhores do momento." É a cultura.


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.