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    Para cantar, nada era longe

    Nome do Colunista Jussara Hadadd 16/10/2019

    No trem novamente. Adoro. E, pra mim, este é o melhor meio de transporte para andar pela Europa. No trem, passando pela Provença em direção a Paris, onde não me canso de voltar e acredito que ninguém se cansa. Com ele é a segunda vez e, a proposta agora é pegar leve, andar com calma por Saint German exceto pelo passeio lindo que faremos a Versailles, onde já fui com meus filhos há uns quatro anos. Esse ano, meu marido e eu, vimos juntos o seriado sobre o Chateau e, ironicamente falando, farei o “sacrifício” de voltar com ele e passarmos juntos as cenas que mais gostamos. Taí uma boa ideia para casais que tem alguma afinidade. Assistirem juntos a filmes e séries e depois traçarem um roteiro de viagem ou passeio por onde mais se impressionaram.

    Afinidade, algo bom de ser tocado aqui. Se não bate totalmente, talvez uma viagem ou longo tempo juntos em casa mesmo, devam ser evitados. Falta de afinidade desajusta demais os casais e passar muito tempo ao lado de alguém com quem não se tem muito a ver, sem ter o que falar ou escolher fazer, pode dar em algo não muito bom. Aquele tal de “alguém tem que ceder” pode ter que ser usado nessas circunstâncias quando o gostoso mesmo é compartilhar cada gota, cada passo. Contudo, se um casal vive bem apesar da falta de total afinidade, é bem possível dividir alguns projetos juntos.

    Outro ponto desfavorável e nada agradável é ouvir a toda hora o tal do “tanto faz” ou “você quem sabe”. Então fica aí uma dica muito importante: façam programas mais curtinhos pra não se aborrecerem. A vibração é muito estranha quando um está querendo viver cada minuto da viagem e o outro está apenas indo na onda.

    Só pra não perder a oportunidade, lembrei aqui de outra queixa recorrente de consultório que é a questão do “timer”. As vezes o momento de um não combina com o do outro. Problemas no trabalho, na família, grana mais curta. Por que não racionalizar e cada um ficar na sua? Forçar a barra para irem juntos ou para que um se solidarize pode ser muito forçoso.

    Nós dois nos identificamos nos vinhos e a Provença é um lugar comum onde podemos conhecer de perto os vinhos rosé que certamente tomaremos no verão quando voltarmos pra casa. Tá bem, tomaremos alguns por aqui também. Fizemos isso tempos atrás visitando as regiões do Douro e do Minho em Portugal, e já pensamos fazer no Brasil pelas Serras Gaúchas como faremos ainda pela rota do vinho na Argentina, Chile, Uruguai, Itália e onde mais pudermos chegar.

    Uma ideia que muito me atrai e que vou tentar realizar esse ano é um passeio pelos alambiques de cachaça de Minas Gerais. Passeio fácil e barato e pra quem gosta de uma cachacinha como eu – adoro cozinhar domingo esperando a família pra almoçar tomando uma pinguinha da boa – e para casais que querem sair da rotina gastando pouco dinheiro. Geralmente não damos valor ao que temos na nossa cultura como fonte de divertimento e distração, mas Minas Gerais tem muitas belezas de fácil acesso. E pensando nisso, corram, Inhotim pode fechar em novembro e isso não tem nada a ver com o acidente de 2019. Pasmem, tem a ver com uma baixa receita e desinteresse do brasileiro pela cultura mesmo. Mas, já que o assunto é o ensejo de uma bebidinha, me ocorreu aqui também que ainda não visitamos as cervejarias de Petrópolis e Itaipava. Fiquei sabendo que é uma delícia de programa embora cerveja não seja muito a minha praia.

    O que estou tentando dizer pra vocês dentro de tantos pretextos, mais uma vez, é que reclamar é uma via aparentemente mais fácil, mas que leva a resultados muito menos satisfatórios. Leva os casais a um fim onde muitas vezes não gostariam de chegar. Casais que permaneceram juntos por um longo tempo, se suportando em favor da família e dos filhos, casais que deixaram a rotina e a influência do entorno contaminar o bom convívio, casais que deixaram a porta do quarto aberta, que deixaram os filhos dormirem em sua cama por muito tempo, que permitiram por preguiça ou ignorância existir um mundo mais forte que o mundo deles e que foram longe demais nessa negligência, mas que contudo ainda permanecem juntos, agora, ao acordarem e se virem sozinhos, como disse no artigo anterior, podem rapidamente repensar a relação, seguirem separados ou estabelecerem um pacto de resgate da boa convivência e planejarem uma vida mais alegre dentro das possibilidades de cada um.

    Essa coisa de viajar para a Europa como apresento, sozinha ou acompanhada de meu parceiro, pode parecer algo pedante ou algo fácil de ser alcançado, porém há de se levar em conta, no meu caso, que houveram anos de planejamento, trabalho duro, metas cumpridas, vidas encaminhadas, todos os possíveis e imagináveis percalços e um sonho perseguido a unha, informação apenas a título de esclarecer a alguns pouco animados que possam tentar arranjar desculpas para dificultar o que proponho como caminho para que tenham um colorido em suas também sacrificadas vidas.

    Cabe aqui, um comentário importante acerca da Europa que faço com tristeza, mas que não posso mesmo omitir: me desculpem os deslumbrados, mas acho que nem os “five stars” são incapazes de perceber que a Europa no seu eixo mais popular está difícil de frequentar. Está dando tristeza ver os refugiados embora devidamente e merecidamente acolhidos, os mutilados de guerra, os jovens muito mais do que drogados, as ruas sujas, os nativos sem direito a liberdade de viver por inteiro a sua terra, a invasão consumista dos povos mais abastados dessa era, a impaciência e pouca educação de muitos se achando mais no direito que você. O turismo banalizado, o turista desrespeitado, tratado como intruso, debochado dentro dos aviões pelos comissários de bordo, dentro dos estabelecimentos de comércio, conforme minha percepção. Volto reflexiva sobre os próximos roteiros.

    Voltando a ideia central desse escrito, penso que enquanto estamos vivos, sempre há tempo para revermos nossos erros, enganos, más escolhas e para redirecionarmos nossas vidas para tempos melhores. Sempre há tempo para as boas intenções, sempre será possível amar novamente o seu parceiro da vida – claro que é preciso analisar as situações que levaram ao desgaste e a capacidade de perdão de cada um – e se isso acontecer, claro que viver junto e com alegria será melhor.

    Para casais maduros que apenas deixaram a relação ficar morna, reascender a vida em comum e se virem apaixonados novamente, depende apenas de uma pequena dose de boa vontade. Isso acontece muito mais do que todo mundo pensa. Tudo aquilo que vimos no outro no passado e que nos fez decidir um dia por uma união estável, pode estar guardado numa caixinha dentro do coração. Tente abri-la com carinho antes de optar por uma nova vida solo, antes de uma busca tortuosa por um novo par, antes de se iludir que este novo par não apresentará defeitos que você terá dificuldade em aceitar.

    Se o seu parceiro da vida até aqui não te ofendeu com falta de retidão, humilhação e subjugação, se vocês apenas negligenciaram sua felicidade e alegria, se apenas cederam, se descuidaram de serem amantes e se não se protegeram do entorno desagradável, tentem traçar novos planos juntos. Tentem a partir daí, de onde estiverem, como estiverem. Se vocês confiam um no outro, se existe um afeto, tentem. Se façam bonitos, bem cuidados, interessantes, divertidos dentro de suas medidas e possibilidades e sigam até onde puderem ir. Ninguém é o mesmo após 5, 10 ou 20 anos. Ainda bem!

    Jussara Hadadd
    Terapeuta holística, especializada em sexualidade
    Saiba mais clicando aqui.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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