Temporada de bons negócios Empresas gráficas faturam no período de propaganda eleitoral, mas questionam alguns itens da Lei 11.300

Renata Cristina
Repórter
04/09/2006
Saiba o que diz a Lei 11.300/06 que dispõe de propaganda, financiamento e prestação de contas das despesas com campanhas eleitorais. Clique no ícone ao lado!

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O mercado gráfico está em "ebulição" durante os últimos meses. Tudo por conta da disputa eleitoral que vai decidir quem serão os próximos deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o cargo máximo do poder executivo, o presidente. Em alguns casos, os lucros superam em 50% no rendimento mensal nas empresas do setor.

O sócio-gerente de uma empresa de outdoors da cidade, Vinicio Passos Filho, diz que o período é bom para os que atuam na área e destaca que 80% dos investidores reúnem suas forças para a fixação de placas. "Com a modificação nos itens da lei, tivemos que nos adaptar e produzir os painéis de acordo com as medidas exigidas. Por isso ganha, quem se adequa aos novos padrões", atesta. Só em sua firma foram feitas 500 placas (mini-doors) para a divulgação em Juiz de Fora no mês de agosto.

Além dos mini-doors também voltam em cena os adesivos para carros e camisetas. O proprietário de uma empresa gráfica, Marcos Cardinelli (foto abaixo), teve que contratar dois funcionários temporários e deixar suas máquinas ligadas por 24 horas, fato que ocorria, ocasionalmente, fora do período das eleições. "Com certeza, o faturamento irá aumentar", comemora.

Os itens de propaganda eleitoral de Cardinelli estão sendo distribuídos em toda a região, abrangendo cidades como Três Rios, Barbacena, Santos Dumont, Muriaé, Além Paraíba, Catguases e Leopoldina. A expectativa é a de fechar o mês com 800 metros quadrados a mais de impressão. "Em um mês comum, imprimo cerca de 4 mil metros quadrados", diz.

O assessor de comunicação de uma empresa de etiquetas adesivas, Amaro Baptista, acredita que métodos de propaganda convencionais ainda são eficazes durante a campanha e que a melhor qualidade das impressões está motivando o interesse dos eleitores. "No caso dos impressos, há uma evolução na qualidade dos produtos de nossa empresa, fato que ajuda a produzir uma melhor imagem do candidato", revela.

Prejuízos com a nova Lei
Se para uns as eleições 2006 são sinônimo de lucro, para outros ela representou prejuízo, ou então, a não efetivação dos lucros planejados. A publicação da Lei 11.300/06, que alterando a Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, regulamentadora da veiculação de campanha eleitoral, determinou algumas modificações que atingiram diretamente o mercado gráfico.

Para quem se lembra das últimas eleições municipais, em 2004, um arsenal de panfletos, cartazes, bandeirolas e out-doors foram espalhados por todos os cantos da cidade. A determinação da Justiça Eleitoral proíbe o uso desses itens, em qualquer local. Por esse motivo, muitas empresas deixaram de arrecadar o valor estimado para o pleito 2006.

No caso da empresa de Amaro, os galhardetes ou bandeirolas deixaram de ser o foco nessas eleições. "É claro que se a lei não existisse, nós estaríamos vendendo mais", pondera. Por outro lado, o assesor admite que a publicidade foi excessiva no último período eleitoral. "Devemos respeitar essa determinação, já que a poluição visual é prejudicial a todos".

Para o gerente comercial de uma das empresas líderes no setor de banners e faixas em Juiz de Fora, Márcio Mattos, a decisão afetou no volume de compras em seu setor. "Apesar do nosso aumento nas vendas ter sido de 10% nesse período, antes, a nossa previsão era de 50%", lamenta.

O que diz a Lei 11.030/06

§ 6o É vedada na campanha eleitoral a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor.

§ 7o É proibida a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar comício e reunião eleitoral.

§ 8o É vedada a propaganda eleitoral mediante outdoors, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, coligações e candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor de 5.000 (cinco mil) a 15.000 (quinze mil) UFIRs." (NR)

Para ler a lei na íntegra, clique aqui!

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