Movimento na rede hoteleira Cerca de 30% dos vestibulandos realizam provas da UFJF em outras cidades e, mesmo assim, hotéis comemoram a procura

*Guilherme Oliveira
Colaboração
07/12/2006
Consulte o endereço e telefone de alguns hotéis de Juiz de Fora em nosso catálogo de endereços e anote as datas do Vestibular da Universidade Federal de Juiz de Fora

catálogo catálogo


foto de hotel

O período de vestibular é época de nervosismo e ansiedade para quem disputa uma vaga na Universidade. Mas, para a rede hoteleira de Juiz de Fora, o período é de bons negócios.

Nesta época do ano, os hotéis comemoram a grande procura de vagas. Em muitos estabelecimentos, há meses, já se esgotaram os quartos para os vestibulandos que chegam de todo o país e que movimentam a economia do município.

Mesmo com tanta satisfação, gerentes e donos de hotéis, acreditam que a ocupação poderia ser melhor, se há três anos a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) não tivesse criado a possibilidade da realização das provas em municípios vizinhos.

Segundo a Universidade, o principal objetivo desta descentralização é atender os candidatos que teriam dificuldade de deslocamento destas regiões para a Juiz de Fora, a exemplo, do que fazem outras instituições de ensino superior.

Por causa disso, segundo José Tabajara, da área de logística da UFJF, neste vestibular 2007, cerca de 30% dos candidatos inscritos não vão precisar vir à Juiz de Fora para realizar a prova. Isso significa que dos 16.249 vestibulandos, 4.906 fazem provas em Belo Horizonte (3.180), Lavras (704), Volta Redonda (698) e em Muriaé (324), cidades escolhidas pela própria UFJF. A mudança não prejudicou tanto porque é válida apenas para a primeira fase do Concurso e, além disso, não se aplica a quem vai fazer o Pism.


imagem do hotel Constantino imagem do hotel Constantino imagem do hotel Constantino

O coordenador do Colégio Anglo de Pouso Alegre (MG), Rodrigo Conti, conta que os alunos do Colégio, que vão fazer o Pism vêm à cidade, mas aqueles que vão tentar o Vestibular tradicional preferem realizar a prova na Universidade Federal de Viçosa (UFV), cidade mais próxima. Se a regra fosse aplicada também aos alunos do Pism, certamente, segundo ele, Juiz de Fora perderia mais um grande percentual de estudantes de lá, que poderiam movimentar a economia da cidade. "Só para o Pism I e II vão 130 alunos. Em janeiro de 2007, outros 50 alunos fazem a prova do módulo III". Segundo o coordenador, Juiz de Fora é o local mais procurado pelos alunos de Pouso Alegre que também tentam o vestibular seriado em cidades como Brasília, Lavras, Uberlândia e Viçosa.

Movimento nos hotéis - Segundo o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Juiz de Fora, a cidade possui 30 hotéis cadastrados, com 2.787 leitos que disputam as últimas vagas. Quem deixar para a última hora não vai encontrar vaga

Os donos dos hotéis mais populares com diárias de R$ 30 a R$ 70 também estão na disputa, só neste período, em que se aproximam as provas, os proprietários recebem diárias com mais de três meses de antecedência. Ano passado, segundo o Sindicato, 90% da rede hoteleira ficou ocupada em função do Vestibular. Segundo o coordenador executivo do Sindicato, Rogério Barros, para este ano, a expectativa é de que se repita os bons números. "Apesar do número de inscritos ter aumentado, reduziu-se o número de pessoas, em Juiz de Fora, mesmo assim esperamos repetir os bons números", comenta, referindo-se ao fato das provas serem realizadas em outras cidades, o que diminui a vinda desse público à Juiz de Fora.

Alguns hotéis trabalham com reservas, outros com diária adiantada e por pacote. No Ritz Hotel ( Avenida Rio Branco, 2000), o representante de eventos, Bruno Augusto, diz que as vagas também já se esgotaram. "Há mais de três meses estamos realizando reservas", conta. No total, serão 194 apartamentos ocupados nesse período que, segundo ele, apesar de trazer bons lucros, não se compara com outros eventos na cidade. "Para o vestibular, fechamos mais com grupos, temos também individual, e a tarifa acaba saindo mais barata", revelou. Para ele, a feira de Laticínios Cândido Tostes, o JF Folia e o Miss Brasil Gay têm efeitos mais positivos no aspecto econômico.

A mesma situação se repete no Hotel Constantino ( Rua Santo Antônio, 765), segundo a gerente, Polyana Mello. Ela diz que a época é boa e grande parte dos leitos do hotel fica por conta de grupos de alunos de determinados colégios e cursinhos, principalmente do interior de Minas, que se hospedam pelos três anos de PISM. "Geralmente, vêm em média 160 alunos. Para esse ano, já não temos mais vagas", avisa.

No Rio Hotel ( Avenida Getúlio Vargas, 513), a grande procura também agrada a gerente do local, Evânia Motta. Ela já avisa que as vagas do hotel já estão esgotadas para o vestibular. "Temos agora somente os quartos mais simples. Muitas pessoas vêm conhecer o local antes, fazem reservas. Esse ano, espero que tenha mais resultados. Ano passado, devido à greve da Universidade, muita gente acabou desistindo", lembra.

Adolescentes mudam rotina dos hotéis
Apesar da boa época, pelo período contar com grande número de adolescentes, o trabalho fica mais difícil. "Ano passado, contratamos dois seguranças para ficarem rondando os corredores", diz Polyana, gerente do Constantino. Apesar disso, ela conta que acaba fazendo também o papel de mãe. "Os alunos do Pism freqüentam aqui por três anos e acabamos tendo uma relação muito boa. Muitos já ligaram dizendo que estão chegando", conta. Segundo ela, no ano passado quase teve que tirar férias após esse período. "Fica um pouco tumultuado, são adolescentes", brincou.

Já no Ritz, um funcionário diz que na primeira fase é mais complicado, mas que na segunda só fica realmente aqueles que vieram para estudar, facilitando o trabalho".

*Guilherme Oliveira é estudante do 5º período de Jornalismo da UFJF

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