Problemas na rede Embratel causam prejuízos Empresas de Juiz de Fora reclamam de problemas nas ligações. Situação tem gerado prejuízos e atrasado negócios

Fernanda Leonel
Repórter
19/01/2007

Linhas chiadas, ligações perdidas ou "picotadas". É este o cenário que algumas empresas usuárias do serviço da Embratel, em Juiz de Fora, têm enfrentado nos últimos dias. Há aproximadamente duas semanas, quem precisa e/ou trabalha com o telefone está ouvindo reclamações de clientes e tendo prejuízos nos negócios.

Isso porque, em momentos diversos do dia e, em intensidades variadas, a comunicação está ficando comprometida com quem, na regra das "leis de compra e venda", precisa de mais atenção: os clientes.

"Chegamos a escutar, mas quem liga, não ouve nada, ou então reclama do som que está sendo veiculado", explica a telefonista da ABC Materiais para Construção, Márcia Beatriz de Lima (foto abaixo), resumindo o problema.

Na empresa em que trabalha, ela é a responsável por mais de duzentas ligações por dia, que representam oportunidades de lucros e vendas para a firma. É Márcia quem atende os fornecedores e clientes que precisam falar com os vendedores da loja e também transfere ligações diversas para a diretoria. "Estou tendo muita dificuldade. Tem gente que diz que o nosso telefone está com problema. Acho que, independente de alguma perda de venda, ou algo assim, isso é um incômodo muito grande pra o cliente", opina.

Incômodo porque, segundo a telefonista, muitas vezes, a pessoa não consegue escutar absolutamente nada do que ela diz. "Eu fico aqui falando alô e, às vezes, as pessoas nem percebem que eu atendi", conta. Durante a entrevista, esse tipo de situação aconteceu por mais de uma vez. "Está sempre assim", exemplifica.

Constrangimentos
Na Concessionária Galiléia, clientes tem chegado a não retornar a ligação segundo a atendente Margareth Nunes. "Tenho medo de que as pessoas pensem que eu desliguei o telefone na cara delas, porque às vezes, eu tento fazer com que elas me escutem e, sem sucesso, acabo desligado". Para a empresa, o bom funcionamento do telefone é essencial, já que mais de 80% dos atendimentos ao cliente são realizados dessa forma.

A telefonista também relatou que, durante a última semana, eles chegaram a ficar uma tarde toda sem a possibilidade de usar o telefone e que as poucas vezes que isso acabava acontecendo, as ligações eram cortadas bruscamente. "Fica complicado demais de trabalhar. A gente cansa muito mais", diz Margareth, levantando a questão de desgaste de material humano para quem utiliza os serviços Embratel e que está passando por esse tipo de problema.

Prejuízos
Na Microtools Informática a situação é parecida. As atendentes também destacaram o desgaste no trabalho, assim como o prejuízo da empresa, devido ao mau funcionamento do serviço. Tanto o setor de vendas, como o de manutenção de computadores, trabalham com atendimento ao cliente via telefone. "A nossa arma de ajuda a quem compra da gente está se voltando contra nós mesmos. Surtindo efeito contrário", comentou Daniela Gomes, também telefonista.

Na empresa, eles recebem cerca de cem ligações por dia voltadas para atendimentos que podem gerar dinheiro e lucro. "Cada uma que perdemos faz diferença. Não temos nada contabilizado nada, mas é preciso que essa situação se resolva. O problema não é nosso e fica parecendo que é", ressaltou Daniela.

Para o proprietário da Alphatel Telecomunicações, Lucimar Ferreira Carneiro, essa "confusão" das pessoas é algo que realmente prejudica o funcionando dos negócios. Como ele mesmo destacou, para todas as empresas é uma situação muito constrangedora atender um cliente pelo telefone e não conseguir entender o que ele diz.

"Como é que sendo da área, falo com alguém com muitos ruídos? Isso não soa bem para ninguém, imagine para uma empresa como a minha que trabalha com esse tipo de serviço?". Lucimar e a esposa, Myriam Cristina de Souza (foto acima), que também é sua sócia na loja, afirmam que, praticamente, 95% dos seus negócios são realizados via telefone.

A Alphatel fornece PABX para outras empresas que se utilizam do link da Embratel, e diz que nos últimos dias quase todos os seus clientes ligaram, porque estavam confusos com o motivo dos problemas. Myriam explicou que alguns deles afirmavam que o erro estava no PABX e que, por algumas vezes, a empresa teve que mandar funcionários para verificar essa reclamação.

Sem explicação

Se por um lado os problemas parecem muito claros para quem se utiliza dos serviços, não é exatamente esse o parecer de quem os oferece. Contactada pelo Portal ACESSA.com, a Embratel, através da sua assessoria de imprensa, afirmou que não há problemas com a rede e que eles não têm conhecimento de nenhum tipo de situação que coloque em xeque a qualidade dos serviços da operadora.

No entanto, procurados pela direção técnica da ACESSA.com, no último dia 12 de janeiro, a empresa chegou a dar uma explicação para a situação de que ela afirmava ter conhecimento. Na ocasião, disse que um congestionamento das centrais de Belo Horizonte era o responsável pela má qualidade das ligações.

A Empresa também informou que não há em seu sistema de atendimento, nenhuma reclamação de empresas de Juiz de Fora, nas últimas duas semanas. "Checamos e não há nada vindo nem daí nem da região", afirmou a assessora Bruna Capucci.

Mas, entre as empresas entrevistadas pelo Portal, 90% afirmaram ter ligado em algum momento para o 0800 da empresa de telefonia. A própria ACESSA.com, a Microtools, a Galiléia e a Alphatel, além de realizar a reclamação, protocolaram o pedido.

Existe viabilidade técnica, para a suposição de algumas pessoas ligadas à área de telefonia, para o motivo que pode ter levado ao mau funcionamento da rede Embratel nas últimas semanas: no dia 12 de janeiro, um cabo de fibra óptica se rompeu na região de Vitória da Conquista, na Bahia, e o resultado desse rompimento, além dos locais já divulgados pela imprensa nacional, podem ter chegado à Juiz de Fora.

A suposição, no entanto, foi negada pela Embratel, que afirma já ter solucionado o problema ocorrido na última semana, e também descarta a possibilidade da Zona da Mata Mineira ter sido uma das atingidas pela situação que deixou, sem telefonia fixa e sem internet, as regiões de Vitória, no Espírito Santo, boa parte do Nordeste, Centro-Oeste e Sul.

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