Pai que agrediu professor no DF alega 'surto' e diz que filha foi humilhada
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O pai da aluna que agrediu um professor dentro de uma escola do Guará, no Distrito Federal, disse estar arrependido do ato de violência, mas alega que sua conduta foi motivada após um "surto momentâneo" pelo fato de sua filha ter sido "humilhada" em sala de aula.
Thiago Lênin Sousa afirmou se arrepender da conduta violenta, mas ressaltou que agiu "sem pensar" para socorrer a filha. "Sem dúvida alguma a atitude [de agredir o professor] é reprovável [...] Agi de forma incorreta diante da situação, um surto momentâneo de um pai que só queria proteger sua filha", disse ele por meio de nota.
Pai diz que sua filha "é a verdadeira vítima" porque a adolescente teria sido "humilhada" pelo docente que, supostamente, "costuma xingar alunos" no ambiente escolar. De acordo com o genitor, sua filha possui deficiência visual e, no dia do ocorrido, estava sem os óculos e "precisou do auxílio do celular para copiar a matéria na lousa, o que fez durante todas as aulas de outros professores, sem problema algum".
"Ocorre que o referido professor ao vê-la usando o celular proferiu palavras de baixo calão dentro da sala de aula. [Minha filha] se sentiu humilhada com as palavras usadas pelo professor, que deveria ser um exemplo de educador. O mínimo que se espera de alguém que se formou para ensinar educação é ser educado, respeitoso e saber conversar com as pessoas, principalmente seus alunos", disse Thiago Lênin Sousa.
Pai diz ter compreensão de que sua conduta não foi "a melhor solução para o problema". "Porém, infelizmente dentro de algumas escolas ainda tem profissionais que deveriam ser o exemplo de um educador, que deveriam tratar seus alunos de forma respeitosa, justas e honesta, continuam nas suas arrogâncias achando que a melhor maneira de educar e sendo mal-educado um verdadeiro contrassenso", completa a nota.
PROFESSOR NEGA XINGAR ALUNOS
Docente disse ser alvo de uma campanha de difamação online. Ao UOL, ele afirmou que as críticas recebidas de outros alunos após o episódio ganhar repercussão são com o intuito de "denegri-lo".
Ele também alegou não ter condições de retornar à sala de aula no momento. "Vou ficar afastado por um tempo. Esta semana vou a uma consulta médica, pois estou abalado com tudo que está acontecendo e não tenho condições psicológicas de voltar ao trabalho imediatamente".
Sem comentar o abaixo-assinado, professor ainda falou que gostaria de voltar a trabalhar na mesma escola "caso tenha clima". "Sou professor concursado há 25 anos e jamais presenciei nada parecido nas várias escolas em que já trabalhei".
ENTENDA O CASO
Professor foi agredido pelo pai de uma aluna, dentro do Centro Educacional 4 do Guará. Agressão teria ocorrido após o docente pedir que a menina parasse de mexer no celular durante a aula.
Agressor proferiu xingamentos e agrediu fisicamente a vítima, 53, com socos e chutes. Conforme a polícia, agressões causaram lesões na face do professor, quebra de óculos de grau e dano a uma corrente com pingente.
Agressões foram registradas em vídeos. As imagens mostram que o pai da aluna entra na sala de aula e começa a sequência de agressões contra o professor. O educador tenta se proteger, enquanto o agressor é contido por outros funcionários.
A filha do agressor também tentou intervir para cessar as agressões. A Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada e prendeu o homem em flagrante. Posteriormente, ele foi solto e vai responder em liberdade por lesão corporal, injúria e desacato.
Docente leciona matemática na escola do Guará e se autointitula "professor opressor". Ele explicou que a alcunha é para "satirizar os ensinamentos de Paulo Freire" por discordar da metodologia de ensino popularizada pelo patrono da educação brasileira.
Ele também já foi advertido pela Secretaria de Educação do DF por ato político no ambiente escolar. Em 2018, ele participou de um churrasco na escola em comemoração pela vitória de Jair Bolsonaro (PL) na eleição daquele ano. O professor nega doutrinação política aos alunos.
Alunos da escola alegam que o professor teria suposto comportamento agressivo na comunicação em sala de aula. Uma aluna amiga da jovem cujo pai agrediu o docente diz que ele "grita e xinga" os estudantes com intuito de "humilhá-los".
O caso será encaminhado à Corregedoria da Secretaria de Educação para apuração dos fatos e adoção das medidas cabíveis. "Reafirmando o compromisso da pasta com um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade", diz comunicado enviado ao UOL.
A secretaria de Educação também acionou o Batalhão Escolar para reforçar a segurança na entrada e saída dos estudantes nos próximos dias. "A secretaria reforça que repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e mantém o compromisso de dialogar com a comunidade, priorizando sempre a promoção da cultura de paz".
