Polonês é preso em MG por abuso sexual de companheira com lesão cerebral
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um polonês foi preso em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, por suspeita de abusar sexualmente da companheira, que vive em condição de vulnerabilidade.
Homem, 33, foi preso preventivamente ontem. O caso era investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Nova Lima, desde 13 de novembro, quando a mãe da vítima fez a denúncia.
A mulher, 32, possui uma grave lesão cerebral causada após uma parada cardiorrespiratória. Conforme a delegada do caso, duas testemunhas foram ouvidas e as amigas da vítima confirmaram que ela pretendia romper o relacionamento. O suspeito negou os fatos.
Cuidadora levantou suspeitas sobre a conduta do homem durante os banhos. Conforme o relato, ele não deixava ninguém participar do momento e "passava tempo incomum manipulando a região íntima" da vítima.
Família instalou câmeras no quarto e no banheiro, que foi removida pelo homem. "Após a reinstalação do equipamento em posição que possibilitava monitoramento constante, ele deixou de participar dos banhos", frisou a delegada.
Suspeito era agressivo e causava medo nos profissionais de saúde. Ainda de acordo com a delegada, um dos médicos só realizava atendimentos acompanhado por outra pessoa, "por medo do investigado". Além disso, ele teria realizado sucção excessiva da traqueostomia da vítima, causando lesão na traqueia da mulher.
"Em uma das ocasiões, o serviço de homecare chegou a impedir o retorno da paciente para casa ao descobrir que ela recebia medicamentos importados e ministrados pelo investigado, que não possui formação médica", disse a delegada Mellina Clemente, responsável pela investigação.
Mãe da mulher disse que o suspeito ameaçava levar a vítima para fora do país. Segundo ela, objetivo seria "cuidar dela sozinho", mesmo contra as orientações e protocolos dos médicos brasileiros.
"Ele falava que os médicos não sabiam o que estavam fazendo, que aqui no Brasil não tinham condição de tratar a situação dela. [...] Tem vídeos que mostram ele falando, no ouvido dela, que 'tá faltando pouco para ser só nós dois', e a vítima convulsiona logo em seguida. Então, assim, você via ali que ela, mesmo naquela condição, ela tinha o mínimo entendimento do que tava acontecendo", disse a delegada Mellina Clemente.
VÍTIMA E MÃE PEDIRAM MEDIDAS PROTETIVAS
Mulher fez relatos de violência psicológica em diário, antes do acidente. Delegada explicou que, ao acessar o iPad, a mãe da vítima viu relatos de que ela vivia um relacionamento abusivo com esse homem antes do acidente que a deixou acamada. "Ele falava que ela não sabia vestir direito, que ela não sabia comer. Chamava ela de puta, menosprezava ela. Tinha várias mensagens, inclusive, eles conversavam em inglês, chamando ela de puta, enfim, menosprezando ela mesmo", disse a delegada.
Mãe pediu medida protetiva para as duas, já que todos moram no mesmo prédio. A Polícia Civil informou que pedido foi deferido, e a Justiça autorizou a prisão preventiva do investigado, considerando ainda a possível fuga dele para o exterior.
O UOL procurou o TJ-MG para saber se o suspeito passou por audiência de custódia. Como o nome não foi revelado, não foi possível localizar a defesa dele. O espaço fica aberto para manifestações.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE.
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 -Central de Atendimento à Mulher- e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
