Direita independente enfraquece base de Nunes na Câmara em ano pós-reeleição
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao longo do primeiro ano pós-reeleição, em 2025, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) enfrentou resistência de parte de sua base na Câmara Municipal, que atuou de maneira independente e votou contra ou se absteve em projetos de autoria do Executivo.
O posicionamento de um grupo formado por políticos estreantes, eleitos com forte presença nas redes sociais e apelo a pautas de costumes, impôs placar apertado em votações consideradas chaves para a administração, como o reajuste do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), aprovado em outubro.
Apesar de integrantes de partidos aliados do prefeito, Lucas Pavanato (PL), Janaina Paschoal (PP), Amanda Vettorazzo (União), Adrilles Jorge (União) e Zoe Matínez (PL) votaram contra a proposta do Executivo ou se abstiveram nas discussões. O projeto de lei foi aprovado com apertados 30 votos favoráveis, pouco acima dos 28 necessários.
"O prefeito é um político de centro que entregou a Cultura para a esquerda. Tem que desideologizar essa parte da administração", diz o vereador Adrilles, ao reforçar sua posição independente, apesar de integrar partido da base do prefeito.
Em outra votação, Pavanato tentou obstruir projeto de regulamentação do transporte de moto por aplicativo. Ele é representante do partido que, além de compor a chapa de Nunes à reeleição, foi responsável pela indicação do vice, o coronel Mello Araujo.
Declaradamente contrário ao serviço na capital, Nunes foi favorável ao projeto de lei que impôs uma série de regras para a oferta de mototáxi na capital. A regulamentação foi aprovada após longo embate judicial entre o prefeito e empresas de aplicativos.
No plenário, Pavanato votou contra a proposta e, nesse sentido, se alinhou aos vereadores da oposição que também a rejeitaram. "Sempre deixei clara a minha postura coerente com meus princípios", disse o vereador, que negou qualquer orientação do partido para votar a favor dos projetos apresentados pelo prefeito.
Colega de partido, a bolsonarista Sonaira Fernandes (PL) também votou contra a regulamentação dos mototáxis.
Outra integrante da base, Janaina Paschoal se absteve na mesma votação e votou contra o reajuste do IPTU. A vereadora também se posicionou de maneira crítica diante da votação do aumento da capacidade de empréstimo da prefeitura, no início de outubro.
Além de darem trabalho para a liderança de governo formar maioria em projetos de lei de interesse do Executivo, a ala da direita independente do Legislativo municipal ocupou o plenário com pautas de costume ao longo do ano passado.
Levantamento feito pela FESPSP (Escola de Sociologia e Política de São Paulo) em parceria com o Instituto Democracia em Xeque a pedido da reportagem mostrou que temas da política nacional estiveram mais presentes nos discursos dos vereadores no primeiro semestre de 2025 do que transporte público e a instalação de CPIs, questões de fato ligadas à atuação dos membros da Câmara.
No início do ano, Amanda Vettorazzo propôs a chamada lei anti-Oruam para proibir a contratação pela gestão municipal de artistas que fazem apologia ao crime, em referência ao rapper carioca.
O episódio extrapolou os limites da Câmara Municipal após a vereadora acusar o rapper de ameaça, injúria e difamação. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou ter registrado boletim de ocorrência após relatar incitação de seguidores do rapper em suas redes sociais.
Parte desses políticos deve deixar o mandato no próximo ano para disputar eleição para deputado federal, entre eles, Adrilles e Pavanato, que serão substituídos por suplentes Adilson Amadeu (União) e Felipe Sertanejo (PL), respectivamente.
