Bombeiros fazem 1.167 resgates em praias da zona sul do Rio no Réveillon

Por LEONARDO VIECELI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Corpo de Bombeiros realizou 1.167 resgates no mar de praias da zona sul do Rio de Janeiro no período de Réveillon, de quarta-feira (31) até as 19h desta quinta (1º), de acordo com balanço divulgado pela corporação.

O número contabiliza salvamentos realizados por militares do 3º Gmar (Grupamento Marítimo), de Copacabana. A contagem abrange resgates na orla desde o Leme até São Conrado, o que inclui Copacabana, centro das celebrações de Ano-Novo na cidade.

Do início de quarta até as 6h desta quinta, foram realizados 547 resgates. Segundo a corporação, em igual intervalo do Réveillon anterior, o número foi bem menor: 29 ocorrências.

O salto nos registros ocorreu em meio a uma piora nas condições do mar. Na tarde de quarta, a Defesa Civil do Rio de Janeiro emitiu um alerta indicando previsão de ressaca na capital com ondas de até 2,5 metros. Autoridades pediram para moradores e turistas evitarem mergulhos.

Um adolescente de 14 anos é procurado pelos bombeiros após desaparecer no mar no final da manhã de quarta. O caso foi registrado em Copacabana.

"Os postos com o maior número de salvamentos foram o posto 8, em Ipanema, o posto 1, no Leme, e o posto 3, em Copacabana", afirmou à reportagem o tenente-coronel Fabio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, sobre o balanço encerrado às 6h de quinta.

"A praia estava com bandeira vermelha, mas, infelizmente, o que parece é que as pessoas, tomadas pelo calor, pelo ambiente de sol, acabaram não acreditando, desrespeitaram as orientações dos guarda-vidas e acabaram se tornando vítimas."

Conforme Contreiras, no Réveillon passado, as condições do mar em 31 de dezembro "não estavam tão ruins" quanto as da última quarta. Esse quadro, porém, mudou a partir de 1º de janeiro de 2025, quando os bombeiros fizeram mais de mil salvamentos na região, de acordo com o tenente-coronel.

No balanço que compreende o período entre 6h e 19h desta quinta, foram feitos mais 620 resgastes, de acordo com os bombeiros.

Cerca de 2,6 milhões de pessoas receberam 2026 nas areias de Copacabana, segundo estimativa da Riotur, a empresa de turismo da prefeitura carioca. O número supera o público projetado no Réveillon 2025 (2,5 milhões).

IDOSO MORRE NA REGIÃO METROPOLITANA

Além do desaparecimento do adolescente em Copacabana, os bombeiros confirmaram nesta quinta uma morte por afogamento em Maricá, na região metropolitana.

Conforme a corporação, a vítima é um idoso de 70 anos que foi resgatado, mas não resistiu e morreu a caminho do hospital.

"Não temos aviso de ressaca pela Marinha no momento, mas o mar continua muito perigoso, as ondas continuam muito altas. Mantemos a recomendação de não mergulhar no mar onde tiver bandeira vermelha e procurar os guarda-vidas para ter um banho de mar seguro", afirmou Contreiras.

TRÊS PRESOS EM COPACABANA

A tenente-coronel Claudia Moraes, porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, disse à reportagem que três pessoas foram presas durante as celebrações em Copacabana. Os casos envolveram furto, violência contra mulher e agressão.

O esquema de segurança no bairro contou com cerca de 3.500 policiais militares. Pontos de bloqueio e revista foram instalados em ruas de acesso à praia.

"Nesses pontos de revista, a gente tinha policiais abordando com detectores de metais e também as câmeras com reconhecimento facial. Então, pessoas que tivessem, por acaso, um mandado de prisão em aberto seriam imediatamente identificadas", afirmou Moraes.

Ainda de acordo com a porta-voz, a PM apreendeu cerca de 200 objetos perfurocortantes, como facas, canivetes e tesouras. É um número inferior ao do Réveillon passado, quando a quantia ficou acima de 250, segundo ela.

"A gente não teve nenhum registro de confusão com correria, que às vezes em eventos com grande concentração de pessoas pode acontecer. Isso não aconteceu. Foi [um evento] de muita tranquilidade, muita paz, mostrando que o planejamento foi eficaz", disse.

MULHER É DETIDA COM 29 CELULARES

Na madrugada desta quinta, uma mulher com 29 celulares, uma câmera fotográfica profissional e uma carteira foi detida em Copacabana por agentes da Seop (Secretaria Municipal de Ordem Pública) e da GM (Guarda Municipal).

A secretaria disse que ela apresentava "atitude suspeita" quando foi abordada. A mulher, que está grávida, foi levada para a Deat (Delegacia Especial de Apoio ao Turismo) com cinco supostas vítimas estrangeiras (polonesas e peruanas).

A Polícia Civil declarou que a suspeita foi ouvida e presa em flagrante pelo crime de furto. O caso foi encaminhado à Justiça.

"Por volta das 3h, agentes posicionados na avenida Atlântica, próximo ao [hotel] Copacabana Palace, observaram intensa movimentação acompanhada de gritos em meio à multidão. Diante da situação, as equipes deslocaram-se imediatamente ao local, onde identificaram uma mulher grávida em atitude suspeita", diz a Seop em nota.

"Após a abordagem, foi constatado que a referida mulher estava de posse de 29 aparelhos celulares, uma câmera profissional e uma carteira, todos ocultados em três bolsas com fundos falsos, envoltos em papel alumínio, possivelmente com a finalidade de impedir a emissão de sinal dos dispositivos", acrescenta a secretaria.

MAIS LIXO É RECOLHIDO APÓS FESTA

A Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) afirmou que removeu 1.250 toneladas de lixo de todos os pontos de festejo na cidade, sendo 625 toneladas apenas em Copacabana.

A quantia aumentou na comparação com o Réveillon 2025. À época, a companhia havia recolhido 980 toneladas de resíduos, sendo 508 em Copacabana.

A Comlurb mobilizou um total de 5.260 garis para o trabalho de limpeza no evento.