Com fratura na clavícula, mulher atingida por árvore no Ibirapuera recebe alta

Por CLAYTON CASTELANI E FÁBIO PESCARINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Atingida por uma árvore que caiu nesta sexta-feira (2) no parque Ibirapuera, zona sul de São Paulo, a comerciante Débora Oliveira, 57, recebeu alta médica na manhã deste sábado (3). Ela sofreu uma fratura na clavícula, e seu quadro de saúde é estável.

O caso ocorreu no final da tarde da sexta, por volta das 17h. A árvore caiu em local próximo ao portão 3. Débora trabalhava em um carrinho de bebidas no local no momento do incidente e foi levada para o Hospital São Paulo após ser socorrida.

Ela atua no parque há cerca de 30 anos. A comerciante precisou também receber pontos na testa em razão de um corte, disse à reportagem sua filha Edna Oliveira.

Além dos bombeiros, o helicóptero Águia, da Polícia Militar, também pousou no local para ajudar no resgate.

Testemunhas ouvidas pela reportagem disseram que a trabalhadora chegou a tentar correr, mas acabou atingida por galhos das extremidades da copa da árvore. Não chovia nem ventava forte no momento.

A Urbia, concessionária que administra o parque, declarou que avalia as causas da queda.

"A concessionária informa que prestou atendimento imediato às pessoas envolvidas, isolou preventivamente a área e acionou os órgãos competentes. Neste momento, a Urbia está dedicada a oferecer a assistência necessária às pessoas envolvidas", disse a empresa em nota.

A área precisou ser isolada.

Ainda na sexta, e sem citar diretamente que essa foi a causa da queda da árvore, a Prefeitura de São Paulo declarou que foram registradas rajadas de vento de até 42 km/h na capital.

Afirma também que uma análise prévia da Defesa Civil municipal não constatou abalo estrutural no local.

"A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente [SVMA] monitora a situação e realizará uma vistoria no local", disse a pasta. "Conforme o contrato de concessão do Parque Ibirapuera, o manejo e laudo das árvores no local são de responsabilidade da concessionária."

Segundo a Defesa Civil estadual, a partir de informações do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), a maior rajada de vento registrada na capital nesta sexta foi de 47 km/h, na estação meteorológica de Interlagos, na zona sul.

Segundo a tabela de Beaufort, usada pela meteorologia, vento com essa velocidade ainda não é considerado forte, mas é capaz de mover os ramos das árvores.

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ESCALA DE BEAUFORT (VELOCIDADE DOS VENTOS)

Grau - Designação - km/h - Efeitos em terra

0 - Calmo - <1 - Fumaça sobe na vertical

1 - Aragem - 1 a 5 - Fumaça indica direção do vento

2 - Brisa leve - 6 a 11 - As folhas das árvores movem; os moinhos começam a trabalhar

3 - Brisa frac? - 12 a 19 - As folhas agitam-se e as bandeiras desfraldam ao vento

4 - Brisa moderada - 20 a 28 - Poeira e pequenos papéis levantados; movem-se os galhos das árvores

5 - Brisa forte - 29 a 38 - Movimentação de grandes galhos e árvores pequenas

6 - Vento fresco - 39 a 49 - Movem-se os ramos das árvores; dificuldade em manter um guarda-chuva aberto; assobio em fios de postes

7 - Vento forte - 50 a 61 - Movem-se as árvores grandes; dificuldade em andar contra o vento

8 - Ventania - 62 a 74 - Quebram-se galhos de árvores; dificuldade em andar contra o vento; barcos permanecem nos portos

9 - Ventania forte - 75 a 88 - Danos em árvores e pequenas construções; impossível andar contra o vento

10 - Tempestade - 89 a 102 - Árvores arrancadas; danos estruturais em construções

11 - Tempestade violenta - 103 a 117 - Estragos generalizados em construções

12 - Furacão, tufão ou ciclone, e tornados - +118 - Estragos graves e generalizados em construções

Fonte: Defesa Civil SP

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No mês passado, ventos de aproximadamente 100 km/h derrubaram árvores e deixaram cerca de 2,2 milhões de pessoas sem energia elétrica na Grande São Paulo.

Só no dia 10 de dezembro, os bombeiros registraram mais de 1.300 chamados para quedas de árvores, o que não ocorreu nesta sexta-feira.

As recentes ocorrências envolvendo árvores durante ventanias e temporais na cidade motivaram uma queda de braço entre a administração Ricardo Nunes (MDB) e a concessionária de energia elétrica Enel.

Atualmente há cerca de 620 mil árvores na cidade de São Paulo, divididas em mais de 673 espécies nativas e outras dezenas de tipos exóticos ainda não catalogados.