Seis capitais brasileiras reajustam tarifas de transporte público
RIO DE JANEIRO, RJ, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A primeira semana do ano foi marcada pelo reajuste das tarifas em sistemas de transporte público em ao menos seis capitais brasileiras.
Nas duas maiores capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro, os reajustes das tarifas de transporte público em 2026 foram justificados por prefeituras e governos estaduais como necessários para recompor custos operacionais, com uso de subsídios públicos para conter aumentos maiores ao usuário.
Em São Paulo, as novas tarifas passaram a valer na terça-feira (6). A passagem de ônibus municipal subiu de R$ 5,00 para R$ 5,30 (alta de 6%, acima da inflação de 3,9% pelo IPCA).
As tarifas do metrô e dos trens da CPTM, por sua vez, aumentaram de R$ 5,20 para R$ 5,40. O Bilhete Único integrado passou de R$ 8,90 para R$ 9,38.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirma que o valor ficou abaixo da inflação acumulada do setor ao longo dos últimos anos.
Também destaca que, sem subsídio, a tarifa técnica do ônibus custaria R$ 11,78, mais que o dobro do valor pago pelo passageiro. O governo estadual atribui o reajuste ao aumento de custos de operação e manutenção.
No Rio de Janeiro, o reajuste entrou em vigor no domingo (4). A tarifa de ônibus, BRT e VLT subiu de R$ 4,70 para R$ 5,00 (alta de 6,4%).
Segundo a prefeitura, o valor pago pelo usuário não cobre o custo real da operação: após o aumento, o passageiro paga R$ 5,00, enquanto os consórcios são remunerados em cerca de R$ 6,60 por viagem, com a diferença bancada por subsídio municipal.
A gestão Eduardo Paes (PSD) afirma que está em curso um processo de renovação do sistema de ônibus, sem relação direta com o reajuste.
No caso do metrô do Rio, sob responsabilidade do governo estadual, não houve reajuste em 2026. A tarifa cheia segue em R$ 7,90, enquanto usuários do Bilhete Único Intermunicipal continuam pagando R$ 5,00, com subsídio do estado.
Em Belo Horizonte, a passagem das linhas regulares de ônibus subiu no dia 1º de janeiro, saindo de R$ 5,75 para R$ 6,25. Também houve reajuste no valor das linhas circulares e alimentadoras, que subiram de R$ 5,50 para R$ 6,00.
A prefeitura informou que o cálculo foi realizado com base na metodologia da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos), considerando custos como combustíveis, peças dos veículos, pessoal e manutenção da frota.
O município também disse que parte do valor da tarifa é complementada pela prefeitura e que, sem os subsídios, a passagem chegaria a R$ 10,30.
A gratuidade nas linhas que atendem favelas, vigente desde 2023, está mantida, assim como o passe livre em domingos e feriados, em vigor desde dezembro de 2025.
Em Salvador, a tarifa dos ônibus convencionais, do BRT e dos veículos do sistema alternativo aumentou de R$ 5,60 para R$ 5,90 desde a última sexta-feira (2). É a tarifa mais cara dentre as capitais do Nordeste.
O reajuste anual da tarifa é previsto em contrato com as concessionárias que operam o sistema da capital baiana.
A prefeitura prometeu avançar na renovação da frota, entregando 700 novos ônibus climatizados para o sistema, que opera com 1.700 veículos. A meta é ter todos os ônibus com ar condicionado até o fim do mandato do prefeito Bruno Reis (União Brasil), em 2028.
O sistema de ônibus de Salvador opera com subsídios da prefeitura desde 2020. O valor aprovado pela Câmara Municipal para 2026 é de R$ 67 milhões.
Não houve reajuste no metrô, de responsabilidade do governo estadual, no qual a tarifa unitária é de R$ 4,10.
Em Fortaleza, a tarifa do ônibus saiu de R$ 4,50 para R$ 5,40 ? o novo valor passou a ser cobrado na sexta-feira (2). O valor da meia-passagem segue congelado em R$ 1,50.
Em Florianópolis, o novo valor da tarifa do transporte público passou a vigorar no dia 1º de janeiro. O pagamento em dinheiro ou Pix passou de R$ 6,90 para R$ 7,70, reajuste de 12%. É a tarifa mais alta entre as capitais brasileiras.
Já a passagem no Cartão Cidadão, sistema de passe rápido municipal, subiu de R$ 5,75 para R$ 6,20, um aumento de 7,8%. O Cartão Turista, modalidade voltada a não moradores que pode ser adquirida nos terminais de integração rodoviária, passou de R$ 6,75 para R$ 7,20 (alta de 6,7%).
De acordo com a prefeitura, o aumento faz parte da revisão anual prevista em contrato com a concessionária do serviço de ônibus e considera fatores como inflação e investimentos na modernização do transporte público.
Além disso, desde o dia 5, o pagamento da tarifa em dinheiro deixou de ser permitido dentro dos ônibus. A partir dessa data, valores em espécie são aceitos apenas nos terminais de integração.
Segundo o consórcio Fênix, responsável pelo serviço, as transações em dinheiro realizadas a bordo representavam menos de 5% do total de pagamentos.
