Derretimento está fazendo um dos maiores icebergs do mundo ficar azul

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O iceberg A23a, um dos maiores e mais longevos já rastreados por cientistas, está derretendo -e mudando de cor. Quatro décadas depois de se soltar da Plataforma de Gelo Filchner, na Antártida, ele está se enchendo de degelo e ficando azul.

Imagens divulgadas pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (8) mostram que o imenso bloco de gelo, que já foi considerado o maior do planeta, está prestes a se desintegrar completamente, enquanto deriva no Atlântico entre a ponta oriental da América do Sul e a ilha Geórgia do Sul.

A foto foi capturada no último dia 26 de dezembro por um satélite e mostra extensas piscinas de água de degelo azul em sua superfície. Embora muito menor do que já foi, o A23a ainda está entre os maiores icebergs do oceano.

Em 1986, quando foi formado, o iceberg tinha cerca de 4.000 km², mais do que o dobro do tamanho da cidade de São Paulo (1.521 km²). Agora, após ter quebrado e perdido partes consideráveis, estimativas do Centro Nacional de Gelo dos EUA indicam sua área seja de 1.182 km².

Um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional também registrou uma fotografia mostrando uma visão mais próxima, evidenciando uma extensa piscina de degelo.

Segundo um comunicado da Nasa, os padrões lineares de azul e branco ao longo do iceberg provavelmente são "estrias" que se formaram centenas de anos atrás, quando ele fazia parte de uma geleira que se arrastava sobre o leito rochoso antártico.

Além disso, as imagens de satélite também sugerem que pode ter havido um vazamento -fazendo com que a água doce do iceberg se misture com a água salgada do oceano e deixando aparente a área branca à esquerda do bloco.

Esses sinais indicam, ainda de acordo com a agência, que o A23a pode estar a apenas dias ou semanas de se desintegrar completamente.

O A-23A teve uma jornada longa e sinuosa, cuja observação melhorou a compreensão dos cientistas sobre os "megaicebergs".

Ele passou mais de 30 anos encalhado nas águas rasas do mar de Weddell, no oceano Antártico, até se soltar, em 2020. Então, passou vários meses em um vórtice oceânico giratório chamado coluna de Taylor.

Eventualmente, se soltou e seguiu para o norte, quase colidindo com a ilha Geórgia do Sul e alojando-se em águas rasas por vários meses. Dali, partiu para o oceano aberto, onde vinha se fragmentado rapidamente ao longo de 2025.