Mergulhadores da PM procuram por policial desaparecido na represa de Guarapiranga
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Policiais militares do COE (Comandos e Operações Especiais) iniciaram mergulhos na represa Guarapiranga, no extremo da zona sul de São Paulo, na tarde deste sábado (10), em busca do cabo da Polícia Militar Fabrício Gomes Santana, 40.
A última comunicação de Santana com familiares ocorreu manhã de quinta-feira (8), quando avisou para um irmão que havia se envolvido em uma discussão com um traficante de drogas do Jardim Horizonte Azul.
Além da represa, a busca pela cabo também segue em áreas de mata e em favelas da região. A ação, que recebeu o nome de Operação Impacto - Pronta Resposta, conta com policiais da Rota (a tropa de ellite da PM paulista), do COE, do 2º e 3º Batalhão de Choque, do Canil, da Corregedoria, além de policiais militares que atuam na área.
As ações na água se concentram no entorno do Clube Esportivo Náutico Guarapiranga.
"As águas da Guarapiranga são muito turvas, e presença de vegetação dificulta as buscas", disse o Comandante do Policiamento de Choque, Valmor Racorti, à Folha.
Santana atua na região do Comando de Policiamento de Área 10, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, e estava de férias quando sumiu.
Três suspeitos de envolvimento no desaparecimento foram presos. De acordo com a apuração, eles seriam as últimas pessoas a terem contato com o cabo. A Justiça decretou a prisão dos três. Outras duas pessoas foram levadas à delegacia, ouvidas e liberadas.
O cabo desapareceu após ir até uma favela na avenida dos Funcionários Públicos, no Jardim Horizonte Azul, para tentar resolver uma desavença na qual havia se envolvido, na quarta-feira (7), durante uma festa.
A PM foi informada sobre o sumiço pelo irmão de Santana na tarde de quinta (8). Segundo ele, o cabo o telefonou pela manhã e contou que discutiu com um homem ligado ao tráfico de drogas, que teria o ameaçado de expor sua condição de policial para a comunidade.
Durante a conversa com o irmão, o cabo afirmou que iria tentar resolver a situação.
A reportagem teve acesso ao documento da Justiça que determinou as prisões. Conforme o texto, Santana estava em uma confraternização com um grupo de pessoas em um bar, onde houve consumo de bebidas alcoólicas. Em certo momento houve uma discussão entre o PM e um homem, que deixou o local
Na sequência, um outro homem que permaneceu no estabelecimento recebeu uma ligação. Ele teria sido chamado à presença de lideranças do crime organizado do Jardim Horizonte Azul. Santana deveria ir junto. Neste segundo local o cabo teria sido separado das demais pessoas e participado do chamado "tribunal do crime", que decidiu que ele seria morto, diz trecho do documento.
As informações foram obtidas pela Polícia Civil por meio de depoimentos. Um dos presos contou informalmente que o corpo do cabo Santana foi deixado em uma área de mata às margens da represa Guarapiranga.
O carro de Santana, um Ford Ka, foi visto inicialmente estacionado na entrada da comunidade. O veículo foi encontrado horas depois completamente queimado na rua Richard Arnold Beck, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.
Buscas foram realizadas em uma região de mata próxima ao local onde estava o automóvel, mas o cabo não foi encontrado.
